"Tem uma PEC do senador Paulo Paim (PT-RS) que foi aprovada no ano passado na CCJ que trata deste assunto também. Já passou pela CCJ, foi aprovada em dezembro após três audiências públicas. Se tivesse que votar algo, a preferência é a do Paulo Paim", disse Alencar à CNN Brasil.

Segundo ele, a PEC alternativa protocolada pela oposição na semana passada "deve entrar em uma fila". "Tem muita coisa na frente dela", afirmou.

Senadores alinhados ao governo são cotados para relatar PEC da escala 6x16x1: No Senado, governo tenta preservar texto da CâmaraSemana em Brasília será marcada por negociações sobre PEC da escala 6x1 A PEC do senador Paulo Paim a que ele se refere é a PEC 148 de 2015, que foi aprovada na CCJ no dia 10 de dezembro de 2025. O texto prevê jornada de trabalho de 36 horas semanais com pelo menos dois dias de descanso remunerado e um regime de transição que se inicia a partir do ano seguinte à sua aprovação, reduzindo a jornada de trabalho primeiro para 40 horas semanais e, depois, uma hora a menos por ano até se atingir as 36 horas finais.

Para Alencar, essa PEC é prioritária sobre a que a oposição protocolou na semana passada e que permite que definições sobre jornada e escala de trabalho sejam estabelecidas mediante acordo individual entre empregado e empregador, convenção coletiva ou "livre pactuação contratual direta".

Na prática, a proposta constitucionaliza princípios já previstos na reforma trabalhista de 2017 e se contrapõe ao texto aprovado pela Câmara, que reduz a jornada sem prever alteração proporcional nos salários. A minuta da PEC, elaborada no gabinete do senador Rogério Marinho, estabelece que o contrato individual poderá prevalecer sobre instrumentos de negociação coletiva em determinadas situações.

Já a PEC aprovada na Câmara na semana passada prevê uma transição de 14 meses para a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais em duas etapas com diminuição de duas horas cada, sem redução de salários. A primeira será feita 60 dias depois da promulgação do texto. A segunda será feita 12 meses depois, totalizando 14 meses após a promulgação da nova emenda.

Alencar disse que ainda trataria com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sobre o rito a ser adotado para o assunto na Casa, bem como sobre quem deve ser o relator.

Nesta segunda-feira, a CNN Brasil mostrou que senadores alinhados ao Palácio do Planalto e portanto favoráveis a PEC aprovada na Câmara devem relatar o texto na casa.

"Eu só vou definir esse relator sintonizado com Davi. Vou esperar o tempo dele e respeitar. Não tenho nome definido", disse Alencar.

Ele também criticou a forma como o assunto está tensionado. "Estão politizando uma coisa que é do interesse do trabalhador. Essa PEC do Paulo Paim por exemplo foi aprovada no ano passado. Fiz três audiências e não foi um senador. Eu coloquei para votar e votei pela aprovação, porque não tinha ninguém para votar. Agora, como é ano eleitoral, estão politizando uma coisa que é do interesse do trabalhador brasileiro", concluiu.