No modelo da ESF, com muitos problemas, existe o estabelecimento de vinculo entre a equipe e a população adscrita. Este modelo cobre algo em torno de 60% da população do país.

No modelo tradicional, os médicos passam pelas UBSs atendem as consultas agendadas rapidamente e se vão. Não existe a criação de vinculo, e o processo tem baixa resolutividade. Este modelo atende os restantes 40%.

Deve-se considerar que cerca de 25% da população tem acesso a planos de saúde e em grande parte não recorrem a APS publica. Eventualmente se utilizam da rede de emergência.

Portanto o modelo descrito acima tem sobreposições que devem ser melhor analisadas. De qualquer maneira, quando a demanda não é resolvida o paciente é encaminhado aos níveis secundários e terciários de atenção através da regulação de acesso estruturada pelos estados e municípios. Aqui os problemas são muito maiores, pois existe uma clara desestruturação da oferta. Estados e municípios não constituem uma rede única e na maioria dos estados existe uma duplicação das redes estaduais em relação as redes municipais.

O resultado é muita ineficiência com perda de 30 a 40% da oferta de serviços devido a faltas-absenteísmo. O resultado são filas sem fim. Mas sabemos estruturar filas. Conseguimos estabelecer filas para transplantes que tem funcionado adequadamente.

Quais são os problemas? É uma rede complexa de problemas e não se deve reduzi-los. A seguir uma tentativa de agrupa-los.

Com certeza não está esgotada a causalidade da incompetência em resolver o problema da demanda, porem não se trata de reestruturar o SUS. O modelo que caminhou ate onde estamos, foi positivo e construiu caminhos. O que é necessário é reconhecer os problemas e construir soluções adequadas e regionais para dar o próximo passo. E sem duvida passa pela construção de regiões de saúde coordenadas dentro do espírito do federalismo criado a partir da CF 88 – os três entes devem governar o modelo.

O desafio é reconhecer a demanda como um problema e propor alternativas para enfrenta-lo.

Esse é o caminho do SUS e como será o caminho para enfrentar o desafio da demanda no setor privado? Existe esse desafio no privado também?

Infelizmente, minha cota de palavras neste artigo foi completada. O setor privado fica para o próximo artigo. Não percam!