Copiar link 28.abr.2026 à 0h00 Ouvir o texto Diminuir fonte Aumentar fonte Henrique Assale/Estúdio Folha A educação brasileira enfrenta desafios sérios, e o Dia Mundial da Educação é uma oportunidade para discuti-los. Apenas 4,5% dos alunos do ensino médio público saem da escola sabendo o que deveriam, e o país está estagnado há mais de uma década. Veja o que explica esse cenário e o que precisa mudar.

No Dia da Educação, país precisa avançar no ensino Com apenas 4,5% dos alunos do ensino médio público com aprendizagem adequada, país está estagnado há mais de uma década

Neste 28 de abril, comemora-se o Dia Mundial da Educação. Mas, pelo menos por aqui, não temos muitos motivos para festejar. Desde meados da década passada, o Brasil parou de avançar na única coisa que justifica a existência de uma escola: fazer com que crianças e jovens aprendam. O país não parou de construir escolas ou de matricular alunos ou de pagar professores. Mas parou de ensinar. E ainda não saiu do lugar.

Os números são duros: apenas 4,5% dos estudantes do ensino médio público saem da escola com aprendizagem adequada em português e em matemática (segundo o Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025, publicado pelo Todos Pela Educação em parceria com o Instituto Positivo).

Em matemática, segundo o Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) 2023, cerca de 73% dos alunos brasileiros ficam abaixo do nível mínimo esperado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o que coloca o Brasil atrás de vários países latino-americanos e a uma distância considerável da média dos desenvolvidos. No Pisa, o país está estagnado desde 2012 nas três áreas avaliadas.

"O maior gargalo da educação brasileira hoje é, sem dúvida, a aprendizagem. O país avançou no acesso e na permanência dos estudantes na escola, mas não conseguiu garantir que eles aprendessem o que deveriam", afirma Olavo Nogueira Filho, diretor-executivo do Todos Pela Educação. "A escola abre e fecha todo dia, mas não está ensinando o suficiente."

O cenário décadas atrás era outro. Nos anos 1990 e 2000, o Brasil conseguiu colocar milhões de crianças nas salas de aula. A universalização do ensino fundamental, a ampliação da educação infantil e a queda nas taxas de abandono foram um grande avanço.

O maior gargalo da educação brasileira hoje é, sem dúvida, a aprendizagem. O país avançou no acesso e na permanência dos estudantes na escola, mas não conseguiu garantir que eles aprendessem o que deveriam

Para entender o que está ocorrendo no presente, é preciso olhar para o passado recente. Houve progressos entre 2005 e 2015, impulsionados por políticas que tiveram continuidade entre diferentes governos federais. Mas, depois, veio um ciclo de instabilidade, com novos projetos e prioridades. Uma das poucas iniciativas que sobreviveram a essa turbulência foi a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), uma espécie de âncora curricular que o país esperava em seu sistema educacional.

A pandemia de Covid-19 agravou o problema gerado por essa instabilidade política. Com as escolas fechadas, crianças que já tinham dificuldades acumularam defasagens. "Só agora voltamos a ter maior estabilidade e, no geral, boa direção para algumas políticas nacionais", avalia Nogueira Filho.

A qualidade da educação está diretamente ligada à qualidade dos professores. E, aqui, há uma questão a ser olhada com carinho: a formação inicial. A expansão acelerada dos cursos de licenciatura, especialmente na modalidade a distância, gerou profissionais que muitas vezes não estão preparados para a realidade das salas de aula.

"Nos sistemas de alto desempenho ao redor do mundo, há um conjunto de ações comuns a todos: atrair bons alunos para a carreira, oferecer formação inicial de qualidade e garantir condições de desenvolvimento ao longo do tempo. No Brasil, esses elementos ainda são frágeis", diz Nogueira Filho.

O investimento por aluno no Brasil é cerca de três vezes menor do que a média da OCDE. O novo Fundeb foi um passo importante para reduzir disparidades históricas entre redes ricas e pobres. "Para garantir que os investimentos sobrevivam a ciclos políticos, é fundamental preservar as bases de financiamento já existentes e melhorar os mecanismos de governança e alocação de recursos", diz Nogueira Filho.

O especialista resume: "O sucesso da agenda educacional da próxima década dependerá menos da multiplicação de novas políticas e mais da capacidade do país de implementá-las com qualidade, consistência, continuidade e escala".

*conteúdo patrocinado produzido pelo Estúdio Folha

"O maior gargalo da educação brasileira hoje é, sem dúvida, a aprendizagem. O país avançou no acesso e na permanência dos estudantes na escola, mas não conseguiu garantir que eles aprendessem o que deveriam"