A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sinalizou ao governo federal e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a existência de um risco iminente de interferência externa dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro. A preocupação se baseia em documentos que detalham planos da administração Trump, com vigência entre novembro de 2025 e maio de 2026. Esses documentos apontam para objetivos claros de Washington, como a diminuição da influência de potências adversárias dos EUA na América Latina e a garantia de acesso a ativos estratégicos e riquezas naturais da região, visando o controle norte-americano, seja diretamente ou através de capital privado.

As informações, inicialmente divulgadas pelo jornal Folha de S.Paulo e corroboradas pela CNN, indicam uma "tendência de escalada de pressão sobre o Brasil" e uma "intensificação seletiva e reconfiguração da pressão exercida pelos EUA". A Abin avalia que a hegemonia dos Estados Unidos na América Latina é considerada uma "prioridade do segundo governo Trump", com ações recentes desde maio reforçando essa percepção de aumento gradual da pressão.

Um exemplo concreto dessa atuação é a sanção imposta pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos em 1º de julho a dois cidadãos e três empresas brasileiras, sob a alegação de vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo a Abin, essa medida demonstra que o governo americano está "passa a incidir diretamente sobre relações financeiras, reputação empresarial, acesso ao dólar, operações internacionais e exposição de terceiros a riscos de sanções secundárias".

O episódio recente reforça a análise da agência de inteligência de que a interferência dos EUA no Brasil se manifesta de forma "gradual, combinado e adaptativo". A preocupação central reside na possibilidade de que tais ações externas possam impactar o cenário político e eleitoral do país, demandando atenção e medidas de salvaguarda por parte das autoridades brasileiras.