A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) avalia que o Brasil falhou em sua estratégia inicial de negociação com os Estados Unidos em relação às tarifas impostas, demorando a perceber a gravidade da situação e a definir um plano de ação claro. Em entrevista, o presidente-executivo da entidade ressaltou que o país precisava ter adotado uma postura mais firme e pragmática desde o princípio, evitando declarações públicas que pudessem prejudicar o diálogo.
Setores industriais afetados pelas novas tarifas têm mantido conversas com o governo federal. A Abiplast, em particular, tem alertado o Executivo sobre a importância de evitar manifestações que não contribuam para a resolução do impasse e que não tragam benefícios concretos para o Brasil. A associação defende que a negociação internacional requer não apenas firmeza, mas, sobretudo, um senso prático para alcançar acordos favoráveis.
Contrariando qualquer possibilidade de retaliação, a Abiplast se posiciona veementemente contra medidas de resposta aos Estados Unidos, considerando essa a pior alternativa possível. Segundo a entidade, tal caminho poderia deteriorar ainda mais as relações diplomáticas e comerciais entre os dois países, além de aumentar os custos de produção para a indústria brasileira. A associação enfatiza que o momento exige a retomada de negociações objetivas, corrigindo falhas do passado.
As tarifas impostas tendem a elevar os custos operacionais e a minar a competitividade da indústria brasileira no mercado global, um cenário já desafiador. O setor de plásticos, que é um componente essencial em diversas cadeias produtivas, seja como produto final ou intermediário, sentirá o impacto. Adicionalmente, a Abiplast manifestou preocupação com a iminente mudança na escala de trabalho 6x1, que, segundo a associação, representará um custo adicional para as empresas e, consequentemente, poderá ser repassado aos consumidores, afetando o poder de compra dos trabalhadores em produtos essenciais e de consumo durável.
