Os dados foram levantados pela CNN Brasil a partir do indicador de "Morte por Intervenção Policial" no painel de estatísticas do MJSP (Ministério de Justiça e Segurança Pública).

Os números de janeiro a março deste ano representam quase um terço dos números registrados durante todo o ano de 2025, que registrou 6.588 óbitos. Os parâmetros também superam o primeiro trimestre do ano passado, que registrou 1.651 vítimas - um aumento de 3.9%

Os estados da Bahia, do Rio de Janeiro e de São Paulo continuam liderando, em ambos os anos, o ranking com o maior número de pessoas mortas por intervenções policiais no país.

No total, em 2025, os territórios baiano, fluminense e paulista registraram, respectivamente, 1.570, 800 e 836 mortes. Já em 2026, até o momento, os números estão em 386, 192 e 178.

Bahia reduz mortes violentas, mas segue em 2º no ranking de homicídiosGrande Rio vive maior alta de tiroteios em perseguições policiaisLetalidade policial em SP: mortes por PMs em serviço cresceram em 2025 Casos de grande repercussão Em abril, a morte de Thawanna Da Silva Salmázio, decorrente de um tiro disparado pela policial militar Yasmin Cursino Ferreira, gerou um protesto de moradores na zona Leste de São Paulo. O caso ganhou grande repercussão e causou o afastamento da PM de seu cargo.

Em fevereiro, na Bahia, oito suspeitos acabaram mortos em confrontos com a Polícia Militar, no Complexo do Nordeste de Amaralina, em Salvador. O caso aconteceu após uma série de tiroteios registrados e também deixou um policial morto.

Já novembro de 2025, a megaoperação Contenção realizada nos Complexos Alemão e Penha, resultou em uma das ações mais letais do país, causando a morte de 122 pessoas.

Outro lado Nota da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro

"A Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro esclarece que as forças policiais atuam de forma integrada e permanente no combate às organizações criminosas, com foco na prisão de lideranças, na apreensão de armamentos e na desarticulação de estruturas financeiras de facções e milícias, priorizando, sempre, a preservação de vidas. Dados do Instituto de Segurança Pública - órgão responsável pela consolidação e análise dos indicadores de criminalidade do Governo do Estado - mostram que, os crimes contra a vida, encerraram o primeiro trimestre com queda. O número de homicídio doloso apresentou redução de 11% no período, saindo de 801 vítimas em 2025 para 716 em 2026. A letalidade violenta caiu 10,2%, de 1.084 mortes em 2025 para 973 - é a primeira vez em 10 anos que o número de mortes fica abaixo de 1.000. Além disso, as mortes por intervenção de agente do Estado reduziram 6,8%, registrando 206 mortes em 2025 e 192 em 2026. O resultado é reflexo do trabalho contínuo das polícias Militar e Civil no enfrentamento às organizações criminosas que atuam no estado. Os indicadores de produtividade policial também registraram resultados positivos no período. A apreensão de fuzis, por exemplo, aumentou 11,6%, passando de 189 em 2025 para 211 em 2026, atingindo a média de dois fuzis retirados de circulação por dia."

Nota da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo

"A SSP ressalta que todas as ocorrências de mortes por intervenção policial (MDIPs) são rigorosamente investigadas, com acompanhamento das corregedorias, do Ministério Público e do Poder Judiciário. Paralelamente, o Estado tem adotado medidas contínuas para redução da letalidade, como o aperfeiçoamento de protocolos operacionais, capacitação dos agentes e ampliação do uso de tecnologias e equipamentos de menor potencial ofensivo, como espargidores, bastões retráteis e armas de incapacitação neuromuscular, cujos investimentos superaram R$ 27,8 milhões na aquisição de mais de 3.500 unidades desse tipo. O Estado é referência em transparência e controle, com o uso de Câmeras Operacionais Portáteis (COPs) e monitoramento em tempo real das ações policiais. O total de equipamentos está sendo ampliado para 15 mil, representando aumento de 48,1% em relação aos contratos firmados na gestão anterior. Programas como o Muralha Paulista integram tecnologia, inteligência e bancos de dados para aumentar a eficiência das ações e reduzir a necessidade do uso da força. Atualmente, 610 municípios mostraram interesse na adesão desta política pública, sendo 205 já integrados. São mais de 125,5 mil câmeras interligadas e mais de 70% da população paulista coberta pelo sistema."

A CNN Brasil entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia e aguarda um retorno. O espaço segue aberto.