A agricultura familiar no Rio Grande do Sul desempenha um papel econômico de extrema importância, consolidando-se como um dos pilares do agronegócio estadual. De acordo com um estudo divulgado pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (FETAG), o setor compreende 365.000 estabelecimentos e utiliza uma vasta extensão de terra, superando 21.000 hectares. Sua contribuição financeira é expressiva, representando R$ 111 bilhões do Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho e abarcando 25% de todas as áreas cultiváveis do estado. Além disso, a agricultura familiar responde por 40% do PIB agropecuário do Rio Grande do Sul.
O levantamento detalha ainda os produtos que mais se beneficiam dessa estrutura. O fumo lidera, com impressionantes 95% de sua produção originária de pequenas propriedades familiares. Em seguida, aparecem a banana, com 92%, e o leite, com 83% da produção concentrada neste segmento. Essa concentração evidencia a dependência do mercado gaúcho em relação à produção familiar para itens essenciais e de grande consumo.
Contudo, a sustentabilidade e o futuro da agricultura familiar no estado estão sob ameaça devido a um desafio crítico: a sucessão familiar. Um dado alarmante revela que a participação de jovens entre 15 e 29 anos no setor registrou uma queda de 35%, passando de 15% em 2012 para apenas 10% nos dias atuais. Essa diminuição acentuada levanta preocupações sobre a continuidade das atividades rurais e a manutenção da força de trabalho no campo.
Em resposta a esse cenário, iniciativas que promovem a agroindústria familiar têm demonstrado resultados positivos na tentativa de reter os jovens. Atualmente, 2.094 agroindústrias familiares estão formalmente registradas no Programa Estadual da Agroindústria Familiar (PEAF) e participam ativamente de feiras e eventos, comercializando produtos locais e agregando valor à produção. Para garantir a permanência e o crescimento contínuo da agricultura familiar, a implementação de políticas públicas abrangentes é indispensável. Estas devem incluir o acesso facilitado a crédito e seguro agrícola, políticas de preço mínimo, garantia de segurança alimentar, sistemas de rastreabilidade eficientes e incentivo à produção orgânica, visando fortalecer o setor diante de seus desafios.
