Integrantes da Polícia Federal, alas da Procuradoria-Geral da República e do Supremo Tribunal Federal demonstraram nos bastidores que não haverá espaço para uma colaboração parcial "que salve uns em detrimento de outros", como afirma a âncora Tainá Falcão no Bastidores CNN.

"A informação é significativa porque desfaz uma intenção inicial de Vorcaro de delatar políticos primeiro, evitando ministros do Supremo Tribunal Federal", disse a âncora.

Contato por rádio e balaclava: os bastidores da transferência de VorcaroCongresso está pronto para dar resposta sobre Banco Master, diz ValdemarVorcaro foi orientado a oferecer delação "sem exceções" Segundo apuração de Tainá, a mesma disposição existe no ex-banqueiro, com um recado já sendo dado pela defesa. Isso significa que, uma vez firmado o acordo, Vorcaro terá que apresentar todas as informações de que dispõe, sem exceções, incluindo todos os possíveis personagens envolvidos.

A avaliação dentro dessas instituições é objetiva: "não existe delação pela metade". A defesa de Vorcaro recebeu o sinal de que, para que o acordo seja homologado, o colaborador precisa entregar um conjunto consistente de provas.

Procuradores recordaram que não se deve correr o risco de algo semelhante ao ocorrido na Lava Jato, quando acordos de colaboração acabaram sendo questionados posteriormente por fragilidades e inconsistências. Alguns delatores apresentaram acusações sem comprovação, o que levou à anulação ou à revisão de trechos de investigações e processos.

Outro episódio mencionado nos corredores dos órgãos envolvidos foi o acordo de delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Desde sua homologação, o conteúdo da delação vem sendo alvo de críticas entre o próprio judiciário e membros do Ministério Público. "A percepção é que parte das informações apresentadas não trouxe elementos novos ou provas suficientes para sustentar as acusações", afirmou Tainá.

Um ponto importante neste processo é o trabalho conjunto desenvolvido pela Polícia Federal e pela Procuradoria Geral da República. Especialistas apontam que essa colaboração entre os dois órgãos pode trazer mais agilidade ao processo e reduzir discordâncias, uma vez que o caso será conduzido simultaneamente pelas duas instituições.

A transferência de Daniel Vorcaro para a Superintendência da Polícia Federal, ocorrida de forma surpreendente, foi interpretada como uma senha para o encaminhamento do processo de colaboração premiada. Vorcaro também já assinou um termo de confidencialidade, mais um indicativo do avanço nas tratativas.

Para que a delação seja efetiva, Vorcaro terá que entregar mais do que aquilo que já chegou ao conhecimento dos investigadores e oferecer elementos comprobatórios. Somente a partir daí é que ele poderia negociar os benefícios com esse processo de colaboração premiada, como redução de pena ou progressão de regime.