Uma pesquisa abrangente realizada em todo o país, com mais de 2 mil participantes, aponta uma preocupante lacuna entre o reconhecimento dos sintomas do câncer colorretal e a ação efetiva para buscar diagnóstico e tratamento. O levantamento indica que, apesar de 8 em cada 10 brasileiros identificarem a gravidade de sinais como sangue nas fezes ou mudanças no funcionamento intestinal persistentes por mais de um mês, a atitude frente a essas manifestações é frequentemente negligente.

Os dados revelam que, mesmo entre aqueles que reconhecem a gravidade dos sintomas – com 42% considerando-os "muito graves" –, apenas 59% dos que notaram sangue nas fezes buscaram atendimento médico imediatamente. Uma parcela considerável de 40% hesitou em procurar ajuda, com 19% optando por não fazer nada e esperar o sintoma passar, 10% aguardando dias ou semanas, e outros 7% recorrendo a remédios caseiros ou mudanças na alimentação. A busca imediata por diagnóstico foi mais comum entre pessoas com melhores condições financeiras, acima dos 60 anos e residentes no Sudeste, enquanto moradores do Norte/Centro-Oeste apresentaram maior propensão a esperar os sintomas desaparecerem.

Outro ponto crítico destacado pela pesquisa é o desconhecimento generalizado sobre métodos de prevenção e rastreamento. Dois em cada três brasileiros (67%) nunca ouviram falar do exame "Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes" (PSO), uma ferramenta crucial para a detecção precoce da doença. O desconhecimento é ainda mais acentuado entre os jovens (85%) e aqueles com menor escolaridade e renda. Em contrapartida, indivíduos que já tiveram ou conhecem alguém com câncer colorretal demonstraram maior familiaridade com o exame e uma taxa de realização quase três vezes maior.

Diante deste cenário, especialistas reforçam a urgência da conscientização sobre a importância de não ignorar sinais de alerta como sangramento retal, alterações persistentes no hábito intestinal, dor abdominal contínua e perda de peso inexplicada. A recomendação é que a prevenção e a busca por diagnóstico se tornem prioridade, com exames preventivos sendo realizados a partir dos 45 anos, ou antes, dependendo do histórico familiar e orientação médica. A necessidade de ação proativa é ainda mais premente considerando que o câncer colorretal é o segundo tumor com maior incidência no Brasil, com projeções de mais de 53 mil novos casos anuais para os próximos anos.