Especialistas em vida marinha e sobreviventes de ataques de tubarão alertam sobre os fatores que podem desencadear o comportamento predatório de tubarões-cabeça-chata, uma espécie conhecida por sua agressividade e por ser responsável pela maioria dos ataques a humanos globalmente. Paul De Gelder, veterano militar australiano que perdeu membros em um encontro com um tubarão-cabeça-chata em 2009, tem se dedicado à conservação e à divulgação de informações sobre esses animais.
Em sua participação no evento "Shark Week" do Discovery Channel, De Gelder, ao lado da especialista em predadores Rosie Moore, investigou os elementos que levam a "tempestade perfeita" para ataques. Experimentos realizados na costa da Flórida revelaram que a combinação de chuva, a presença de presas ricas em gordura e vibrações intensas na água, causadas por atividades humanas como pesca ou mergulhos abruptos, são gatilhos significativos. Os tubarões-cabeça-chata, que preferem águas temperadas e agem como predadores de emboscada, são particularmente suscetíveis a esses estímulos.
Os estudos apontaram que a chuva, por exemplo, pode agitar os tubarões ao gerar vibrações na superfície do oceano. Para testar essa hipótese, pesquisadores simularam a chuva enquanto observavam a reação dos animais, que se mostraram mais agitados e rápidos. Da mesma forma, a análise de diferentes tipos de iscas demonstrou que os tubarões-cabeça-chata foram mais atraídos por peixes oleosos e gordurosos, indicando uma forte resposta a fontes de alimento ricas em lipídios.
O comportamento humano também foi identificado como um fator crucial. Atividades como a pesca submarina, que geram movimento e vibração na água, podem atrair a atenção dos tubarões, levando-os a atacar tanto a presa quanto a fonte da perturbação. De Gelder ressaltou a importância de avaliar as condições ambientais e o comportamento na água antes de entrar no oceano, pois o conhecimento desses padrões pode ser vital para a segurança dos banhistas e praticantes de esportes aquáticos. A compreensão dos ciclos de migração de peixes, que coincidem com a presença de tubarões, também pode oferecer orientações sobre os períodos de maior risco.
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