Um levante popular na Bolívia, liderado por movimentos sociais, sindicais e indígenas, tomou as ruas contra o governo de direita de Rodrigo Paz Pereira, protestando contra sua agenda econômica liberal que intensificou a crise no país. As reivindicações incluem o fim de cortes e privatizações, melhoria na qualidade dos combustíveis e aumentos salariais. Em meio à pressão popular, que forçou o governo a recuar em algumas medidas, uma declaração do governo de Donald Trump chamou a atenção ao oferecer apoio "inequívoco" ao governo boliviano.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, classificou os manifestantes como "criminosos e traficantes de drogas" e afirmou que os Estados Unidos "não permitiriam" a derrubada do governo de Paz Pereira, sugerindo possível intervenção direta. Essa postura se insere em um histórico de ações e discursos intervencionistas dos EUA na América Latina, especialmente evidentes desde o retorno de Trump à política externa americana em janeiro de 2025.

Especialistas alertam que o histórico de intromissões da Casa Branca na região acende um alerta para o Brasil, a poucos meses de suas eleições presidenciais. A relevância do pleito brasileiro é amplificada por envolver a maior economia e nação da América Latina, e pela presença de um candidato com alinhamento declarado a Donald Trump. Esse cenário poderia configurar um ponto de apoio estratégico para os interesses trumpistas na América do Sul.

Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e candidato à presidência, tem demonstrado um endosso aos interesses de Trump, tendo se reunido com o ex-presidente americano em Washington. Analistas veem esse gesto como um trunfo para a extrema direita ou um ato de subserviência, mas a votação brasileira em outubro está, inegavelmente, no radar dos Estados Unidos. Washington sinaliza disposição para agir, seja através de eleições ou de outras formas, buscando formar um bloco de aliados conservadores na região, que já inclui líderes em países como Argentina, Chile e Equador.