A violência contra professores no Brasil atinge níveis alarmantes, com relatos chocantes que expõem a fragilidade do ambiente escolar. Um caso emblemático envolve uma professora da Zona Oeste de São Paulo, que, após 26 anos de magistério, foi ameaçada de morte pelo pai de um aluno de apenas 6 anos. O pai, conhecido por sua influência na comunidade e envolvimento com atividades criminosas, manifestou insatisfação com o desempenho escolar do filho, culpando a educadora pela dificuldade de adaptação à nova fase de estudos.
A professora, cujo nome foi preservado, relatou ter se sentido desamparada ao registrar o boletim de ocorrência, sem o apoio da gestão escolar. Ameaçada e com medo de represálias, ela optou por não representar criminalmente, sendo afastada da unidade onde ocorreu o incidente. O impacto psicológico foi devastador, gerando pânico e receio pela própria segurança, a ponto de cogitar mudar de quarto em sua residência.
Este episódio, contudo, não é um fato isolado. Uma pesquisa recente do Centro do Professorado Paulista (CPP) revelou que 65% dos educadores entrevistados já foram vítimas de algum tipo de agressão no ambiente escolar. A violência verbal é a mais comum (71%), seguida pela psicológica e moral (58%), institucional (27%) e física (19%). Um levantamento da OCDE em 2024, com dados de 55 países, colocou o Brasil na liderança em intimidação e abuso verbal contra professores, com 47% dos educadores relatando esses episódios, contra uma média global de 18%.
O debate sobre a violência contra educadores ganhou força após outros casos notórios, como o de uma professora em São José dos Campos que teve uma lâmina de vidro colocada em seu copo de água por alunos. Especialistas apontam que a violência no ambiente escolar é multifacetada, incluindo a violência gerada por políticas públicas inadequadas, a falta de condições para projetos como a inclusão de alunos com deficiência, a própria agressão de alunos contra educadores, a postura da gestão escolar e a desvalorização da instituição escolar na sociedade. O Observatório Nacional da Violência contra Educadoras/es da UFF também tem documentado um aumento na perseguição contra professores, com casos de censura e assédio.
