O assessor especial do presidente Lula para assuntos internacionais, Celso Amorim, fez duras críticas à iniciativa "Escudo das Américas", proposta pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo Amorim, a coalizão, que reúne líderes latino-americanos alinhados a Trump, como Javier Milei da Argentina e Nayib Bukele de El Salvador, tem como objetivo real impor um "cerco" e "dominação absoluta" contra o Brasil.

Amorim argumenta que o pretexto utilizado para a criação do "Escudo das Américas" é "falso". A proposta busca combater o crime organizado, citando facções brasileiras como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) entre os 24 grupos alvo. No entanto, o assessor classifica essa abordagem como uma tentativa de equiparar a questão do crime organizado a terrorismo internacional, o que, em sua visão, configura uma ameaça direta ao Brasil.

Em entrevista ao canal Tutaméia, no YouTube, Celso Amorim declarou que a iniciativa representa uma "ameaça". "Agora, sim, nós sofremos ameaça. Veja bem, essa questão do Escudo das Américas põe o Brasil em cerco, cercado com base em argumento falso, que é tratar a questão do crime organizado como se fosse terrorismo internacional", afirmou.

Ele enfatizou que, por trás da retórica de segurança, o que se busca é um "esquema de dominação absoluta". A fala de Amorim reflete a preocupação do governo brasileiro com possíveis interferências externas e a forma como questões de segurança interna podem ser instrumentalizadas em agendas políticas internacionais.