A mudança reflete uma tendência mais ampla de revisões para baixo entre instituições financeiras, com o Banco Pine já projetando expansão de apenas 0,8% para o mesmo ano.

A comentarista de Economia do CNN Money Rita Mundim avaliou o cenário e foi direta ao diagnosticar a situação.

"A gente tem que pagar a conta", afirmou.

Segundo ela, os excessos do atual ciclo econômico serão inevitavelmente cobrados da população brasileira.

Rita Mundim destacou que o país vive um período marcado por elevados gastos públicos, com programas sociais e estímulos ao crédito voltados ao consumo.

"Todo mundo sabe que há um excesso de benefícios, há um excesso de colocação de dinheiro por parte do governo", disse.

IA atrai capital institucional e amplia pressão sobre criptomoedasQueda do petróleo pode pressionar inflação; entendaContinental deve fechar venda multibilionária de segmento ContiTech Para a comentarista, esse movimento tem impulsionado artificialmente as projeções de crescimento para 2026, em um fenômeno que ela chamou de "efeito eleição".

O Boletim Focus, que reflete a média das projeções de instituições financeiras, já registrava seis semanas consecutivas de revisões para cima do PIB (Produto Interno Bruto) de 2026, ao mesmo tempo em que começava a mostrar queda nas estimativas para 2027 — saindo de 1,7% para 1,68% na última edição.

Mundim alertou que o crescimento estimulado via demanda ocorre em um ambiente de taxa de juros altamente restritiva.

A comentarista observa que as taxas futuras permanecem acima de 14% até 2029, o que limita severamente o espaço para recuperação.

Também mencionou que mais de 80 milhões de brasileiros estão com CPF negativado, o que representa um teto concreto para o consumo.

"As famílias endividadas, o limite da dívida é a inadimplência", afirmou.

Ela explica que o aumento do estímulo fiscal eleva a dívida pública e o Risco Brasil, tornando os próximos anos especialmente desafiadores.

Questionada sobre possíveis gatilhos para a retomada do apetite por risco na Bolsa de Valores ainda em 2026, Mundim foi categórica: "Não vejo gatilho nenhum".

Ela apontou que a maioria dos gestores tem optado pelo conservadorismo, migrando para ações no exterior e renda fixa no Brasil.

A comentarista criticou o volume negociado na B3, que estaria em torno de R$ 12 bilhões, e o fato de cinco empresas responderem por aproximadamente 40% da performance do Ibovespa.

Para Mundim, o cenário só poderá mudar com a adoção de responsabilidade fiscal pelo próximo governo, a partir de 2027.

"Se não for pelo amor ao Brasil, vai ser pela dor", concluiu.