O motivo é que ela vem em um momento em que a corte enfrenta a maior crise de imagem e de credibilidade de sua história bem explicitados na pesquisa Atlas publicada na semana passada: 60% dos brasileiros dizem não confiar no trabalho e nos ministros do STF, 59,5% entendem que a corte não demonstra competência e imparcialidade no julgamento de processos e 66,1% dos brasileiros acreditam haver envolvimento direto deles no caso do Banco Master.

A conta é fácil: se Bolsonaro viesse a morrer na prisão o quadro se agravaria e poderia gerar um efeito dominó para a corte. Primeiro, fortaleceria a candidatura do filho Flavio a presidente, já empatada com Lula.

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Segundo, fortaleceria candidaturas com discursos anti-STF, que já se posicionam para a eleição de outubro.

Terceiro, potencializaria as chances dessas candidaturas dando a sonhada maioria que o bolsonarismo pretende ter no Senado no próximo ano para afastar por impeachment um Ministro do STF.

Foi esse cenário que pelo menos um ministro da corte traçou ao ministro Alexandre de Moraes, como revelou a CNN, na semana passada.

Moraes cedeu, algo raro na atuação do ministro no que se refere a Bolsonaro e ao bolsonarismo.

A internação por broncopneumonia do ex-presidente, que poderia de fato levá-lo a óbito, foi determinante neste processo, mas é provavel que Moraes não tivesse dado essa decisão se não estivesse ele sendo questionado por um contrato de R$ 129 milhões do escritório de sua mulher com Vorcaro e o STF no buraco da maior crise de sua história.