"Assim como nos acidentes aéreos, o governo avalia que foram muitas as causas que levaram à derrota de Jorge Messias, foi uma 'tempestade perfeita' praticamente", destacou Venceslau.
A votação, realizada em caráter secreto, também alimentou desconfianças sobre possíveis traições dentro da base aliada, incluindo suspeitas de que Ana Paula Lobato (PSB-MA) senadora suplente de Flávio Dino, teria votado contra a indicação.
Lula avalia nomeação de Jorge Messias ao Ministério da JustiçaApós reprovação ao STF, Messias reavalia permanência na AGUApós derrota, Messias diz ter sofrido “desconstrução” no Senado Caça às bruxas Dentro desse cenário de incertezas, iniciou-se o que Venceslau descreveu como uma espécie de "caça às bruxas", com Jacques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, sendo apontado entre os primeiros alvos de questionamentos.
Wagner ficou em situação constrangedora após ter cochichado no ouvido de Davi Alcolumbre (União-AP) momentos antes da divulgação do resultado, recebendo um spoiler do placar final. No entanto, o próprio Messias tratou de isentá-lo publicamente, declarando em entrevista ao Portal Fórum que Wagner não tem culpa pela derrota.
Randolfe Rodrigues (PT-PE), apontado como um dos responsáveis pela articulação política e também pelo diagnóstico considerado equivocado, concedeu entrevista ao jornal O Globo para se explicar. Ele afirmou que o presidente tinha total consciência dos riscos envolvidos e que ele próprio havia alertado diversas vezes que o placar real poderia ser diferente do que estava sendo contabilizado.
"O placar que era ventilado para a imprensa, apresentado muitas vezes em tom triunfalista. Era no começo uma victory tranquila, depois uma vitória apertada, mas nunca se cogitou uma derrota", lembra Venceslau.
Ainda em entrevista ao jornal O Globo, Randolfe defendeu que cumpriu seu papel ao apontar as dificuldades, mas considerou acertada a decisão de seguir em frente com a sabatina.
Outro nome citado por Venceslau é o de José Guimarães, recém-chegado à Secretaria de Relações Institucionais. Sua posse foi realizada com grande prestígio, contando com a presença de líderes do Centrão e até de Davi Alcolumbre, que havia se afastado dos atos do governo.
"Muita gente, depois desse evento, achou que a situação estava realmente pacificada, mas ele [José Guimarães] já chegou com duas grandes derrotas no currículo", conclui o analista.
