A cantora Anitta revelou que a crescente preocupação com o avanço do extremismo e do conservadorismo na política brasileira foi um fator determinante para a concepção visual e temática de seu mais recente trabalho, intitulado "Equilibrium II". Em coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (24/7), a artista destacou que decidiu abordar temas cruciais como liberdade individual, respeito à diversidade religiosa e autoconhecimento, pois considera o atual cenário político nacional "muito perigoso".

Anitta pontuou que o extremismo e o conservadorismo possuem um grande apelo e capacidade de engajamento, o que, segundo ela, representa um risco significativo. A artista levantou a questão de como os algoritmos das redes sociais, somados à disseminação de notícias falsas, podem intensificar as polarizações políticas. Ela explicou que, ao apresentar repetidamente conteúdos que já capturam a atenção do usuário, os algoritmos podem criar bolhas informacionais, exacerbando ainda mais as disputas que se intensificarão nas próximas eleições.

"Nosso cérebro está sempre tendendo a olhar o negativo, e o algoritmo tende a mostrar mais daquilo em que a gente já está prendendo a atenção. Se a gente prende a atenção em coisa negativa e o algoritmo mostra mais disso, o que vai acontecer com as nossas mentes nesse momento de briga e disputa política?", questionou Anitta. Ela enfatizou a importância de as pessoas buscarem ativamente informações, pesquisarem dados concretos e desenvolverem autonomia para formar suas próprias opiniões, ressaltando que não espera concordância, mas sim o exercício do pensamento crítico.

A cantora usou como exemplo a situação de mulheres e crianças no Afeganistão sob o regime do Talibã para ilustrar como direitos podem ser gradualmente suprimidos. Para Anitta, a erosão da liberdade começa quando discursos que ameaçam direitos ou que são claramente criminosos passam a ser tratados meramente como "opiniões". Ela descreveu esse processo como algo que ocorre "aos poucos", iniciando com a normalização de falas atrocidades em redes sociais sem consequências, e culminando na aceitação de discursos que atentam contra a liberdade.

Anitta defende que a cultura e a arte desempenham um papel vital em manter vivas as mensagens de liberdade e respeito às diferenças. "É muito importante a gente ter sempre vivo, na cultura e na arte, coisas que vão fazer a gente continuar se sentindo livre para ser quem é, com a religião que quiser, com a sexualidade que tiver", afirmou. Seu grande sonho para "Equilibrium II" é que o projeto transcenda o formato de álbum e se transforme em um movimento social, incentivando as pessoas a se aprofundarem em temas como autoconhecimento, a abraçarem a diversidade e a respeitarem todas as religiões. Ela concluiu que o projeto também visa abrir precedentes para que outros artistas e indivíduos continuem essa jornada, promovendo uma "revolução" e um movimento de transformação.