A 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada nesta quinta-feira, revela uma tendência de queda nas mortes violentas intencionais no Brasil em 2025. O país registrou 19,1 mortes por 100 mil habitantes, marca inferior a 20 pela primeira vez desde o início da série histórica em 2012. No total, foram contabilizadas 40.775 ocorrências, representando uma redução de 8,2% em comparação com o ano anterior, quando o número chegou a 44.127.

O levantamento detalha uma diminuição em diversos tipos de crimes letais. Os homicídios dolosos apresentaram queda de 10%, os latrocínios recuaram 17% e as lesões corporais seguidas de morte tiveram uma redução de 15,2%. Esses resultados positivos contribuem para a melhora geral no índice nacional de violência letal.

Contudo, o documento também aponta preocupações significativas. As mortes decorrentes de intervenção policial cresceram 5,4%, e os feminicídios registraram um aumento de 4%. Estes dados indicam que a atuação das forças de segurança e a persistência da violência contra a mulher ainda são fatores relevantes na dinâmica da criminalidade no país.

Apesar da queda geral em nível nacional, a análise regional revela um cenário heterogêneo. Sete unidades da federação apresentaram aumento nas mortes violentas intencionais em 2025, com destaque para os crescimentos observados no Rio Grande do Norte, Rondônia, Acre, Roraima, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro. Em contrapartida, estados como Amazonas, Rio Grande do Sul e Mato Grosso registraram reduções expressivas, demonstrando a forte desigualdade na evolução da segurança pública entre as diferentes regiões brasileiras.

O anuário também trouxe dados alarmantes sobre feminicídios. Em 2025, 44,4% das mulheres assassinadas foram vítimas de crimes motivados por razões de gênero, o percentual mais alto desde que o feminicídio foi tipificado em 2015. Foram 1.571 mortes confirmadas, o que equivale a uma média de 4,3 mulheres assassinadas por dia devido ao gênero, com uma taxa nacional de 1,4 por 100 mil mulheres. Além disso, as tentativas de feminicídio também aumentaram 5,9%, com 4.189 mulheres sobrevivendo a ataques. As regiões Centro-Oeste e Norte apresentaram as maiores taxas de violência letal de gênero, considerando casos consumados e tentados.