Enquanto o debate público se volta para os potenciais perigos da inteligência artificial nas eleições de 2026, uma ameaça mais concreta e insidiosa emerge: os anúncios pagos não regulamentados na internet. Estes não se referem aos anúncios oficiais, aqueles que são contratados dentro das plataformas, devidamente identificados com CNPJ, registrados, auditáveis e rastreáveis, seguindo as normas da Justiça Eleitoral.
Para os anúncios oficiais, o Brasil dispõe de uma das legislações mais modernas do mundo, com a colaboração ativa das plataformas de publicidade cadastradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Essa estrutura visa garantir transparência e conformidade com as regras eleitorais, permitindo o acompanhamento e a fiscalização de conteúdos patrocinados.
No entanto, o verdadeiro perigo reside nos anúncios que operam nas "sombras" da internet. Estes conteúdos, muitas vezes anônimos ou com identificação duvidosa, escapam aos mecanismos de controle e fiscalização. A falta de rastreabilidade e a ausência de auditoria dificultam a identificação de quem está por trás dessas campanhas e quais são seus objetivos, abrindo margem para a disseminação de desinformação e ataques à democracia.
A capacidade de veicular mensagens sem a devida identificação e fiscalização representa um desafio considerável para a integridade do processo eleitoral. A Justiça Eleitoral e as plataformas precisam intensificar os esforços para coibir essas práticas, garantindo que o debate público seja pautado pela verdade e pela transparência, protegendo assim o eleitor de manipulações e garantindo a legitimidade do resultado das urnas.