Aos 92 anos, Marlene Soccas foi formalmente anunciada como candidata ao Senado pelo estado de Santa Catarina. Sua longa trajetória política e de ativismo em defesa dos direitos humanos a precede, marcando sua atuação em diversos momentos cruciais da história brasileira e catarinense.

Nascida em Laguna, Soccas possui formação acadêmica diversificada, com graduações em Odontologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e em História pela Unesc, concluídas em 1955 e 2010, respectivamente. Sua militância de esquerda remonta à década de 1960, período de forte repressão da ditadura militar. Influenciada por figuras como Paulo Stuart Wright, participou ativamente de organizações de oposição ao regime, incluindo a Ação Popular (AP), a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e a Rede Democrática (REDE).

Um dos capítulos mais marcantes de sua vida foi a prisão em 1970 por motivos políticos, onde permaneceu por mais de dois anos e, segundo relatos, sofreu torturas. Essa experiência dolorosa consolidou seu compromisso inabalável com a democracia e os direitos humanos, direcionando suas ações futuras.

Após sua libertação, Marlene Soccas manteve-se ativa em Santa Catarina, sendo peça fundamental na fundação do Centro de Defesa dos Direitos Humanos em Criciúma e da subseção local do Comitê Brasileiro pela Anistia. Contribuiu também para a fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) em 1980, embora tenha se desvinculado dois anos depois. Posteriormente, filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), pelo qual concorreu ao governo de Santa Catarina em 2014, reafirmando seu legado na defesa da justiça social e na preservação da memória das vítimas da repressão.