Messias obteve apenas 34 votos favoráveis, ficando aquém dos 41 necessários para aprovação. A margem de rejeição surpreendeu até mesmo os governistas mais pessimistas, uma vez que a expectativa era de que ele ao menos atingisse o mínimo exigido, mesmo que não chegasse aos 47 votos obtidos por Flávio Dino em indicação anterior.

Messias agradece apoio de ministros após ser rejeitado para o STFApós reprovação ao STF, Messias reavalia permanência na AGUEm derrota para o governo, Senado rejeita Messias para vaga ao STF Conforme Teixeira relatou durante o Live CNN, o entorno de Messias realizou uma autocrítica sobre o que poderia ter sido feito de forma diferente para evitar a reprovação. Um dos diagnósticos apontados por pessoas próximas ao indicado é que o STF vive atualmente uma divisão clara em torno de temas sensíveis, como a crise do Banco Master e o Código de Ética proposto pelo ministro Edson Fachin.

Nesse contexto, o apoio de André Mendonça teria sinalizado ao restante da Corte que Messias tenderia a se alinhar a um grupo específico dentro do tribunal. "Messias abraçou Mendonça e foi abraçado pelo ministro. Isso gerou a interpretação dentro do Supremo de que Messias se juntaria ao grupo de Mendonça", explicou Teixeira.

O grupo oposto, segundo o entorno de Messias, seria integrado por Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin — magistrados descritos como tendo maior interlocução com o Senado Federal, com a classe política e com o Congresso Nacional. A percepção de que Messias não se aproximaria desse grupo teria gerado resistência e contribuído diretamente para sua derrota.

O diagnóstico geral do entorno de Messias e do Palácio do Planalto, segundo as fontes ouvidas por Teixeira, é de que a reprovação representou, em maior medida, uma derrota do governo Lula do que do próprio Jorge Messias.

Teixeira ainda traçou um paralelo com indicações anteriores ao STF para contextualizar a magnitude da derrota. No governo de Dilma, Luiz Fux foi aprovado com ampla unanimidade, enquanto Edson Fachin enfrentou dificuldades maiores.

Já no governo de Jair Bolsonaro, Nunes Marques foi aprovado com apenas 10 votos contrários e 57 favoráveis, ao passo que André Mendonça obteve 47 votos a favor e 32 contra. No governo Lula, Cristiano Zanin foi aprovado com 58 votos e 18 contrários, número que caiu para 47 no caso de Flávio Dino — e despencou para apenas 34 na votação de Jorge Messias.