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20.mai.2026 à 0h27 Diminuir fonte Aumentar fonte Ouvir o texto Isabella Menon Caio Spechoto Washington e Brasília O representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou nesta terça-feira (19) que teve uma primeira reunião com o ministro Márcio Elias Rosa, do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio). A conversa acontece após o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump no dia 7 de maio.

Após a reunião entre os chefes de Estado, foi criado um grupo de trabalho para negociar o fim das barreiras tarifárias em até 30 dias. A reunião entre Greer e Rosa aconteceu virtualmente.

"Saúdo o engajamento construtivo do Brasil para avançar nas questões comerciais e espero continuar as discussões", escreveu Greer nas redes sociais.

O governo brasileiro considerou a reunião boa. A ideia das autoridades do Brasil é negociar as tarifas de forma progresiva, em vez de costurar um acordo amplo logo de início. Assim seria possível, por exemplo, postergar discussões onde é pouco provável que os dois países concordem, como sobre o comércio de etanol e de aço.

Em vez disso, o governo oferece reduzir tarifas de importação de outros produtos americanos que sejam de interesse mútuo. Um exemplo seria o de equipamentos usados no setor de saúde. É do interesse americano vender mais desses produtos, que têm alto valor agregado, ao mesmo tempo que interessa ao Brasil que esses aparelhos entrem no país com um custo menor.

"A gente está caminhando para um acordo, provavelmente. Não vai ser um acordo amplo, vai ser progressivo, parcial, em tópicos", disse o ministro Márcio Elias Rosa a jornalistas no Palácio do Planalto.

O grupo de trabalho foi anunciado por Lula após a reunião do início do mês. Trump, por meio das redes sociais, também citou na ocasião a discussão sobre tarifas na reunião que durou três horas.

"Discutimos muitos tópicos, incluindo comércio e, especificamente, tarifas. A reunião foi muito bem. Nossos representantes têm reuniões agendadas para discutir alguns pontos-chave. Outras reuniões serão agendadas ao longo dos próximos meses, conforme necessário."

Durante um evento da Conferência das Américas, em Washington, nesta terça-feira, o sub-representante de Comércio dos Estados Unidos, Jeffrey Goettman, afirmou que os dois países mantêm um "diálogo aberto", mas evitou dizer se há possibilidade de um acordo em relação à investigação conduzida com base na Seção 301.

Ele ainda afirmou que em julho deve ser concluído um relatório sobre a investigação do USTR sobre o Brasil, que inclui o Pix, o comércio da rua 25 de março, em São Paulo, e o etanol. O processo foi aberto em julho do ano passado. Além deste, o USTR também incluiu o Brasil em outro processo, com mais outros 59 países, em que investiga o suposto uso de trabalho forçado.

As autoridades brasileiras acreditam que o resultado da investigação será usado como argumento para impor tarifas sobre o Brasil. As negociações que já estão em curso são consideradas uma espécie de prevenção para o que virá após o fim das investigações americanas.

Existe um descontentamento no governo dos Estados Unidos com o bloqueio, pelo Brasil, uma proposta americana na OMC (Organização Mundial do Comércio) sobre prorrogar a moratória de tarifas aplicadas a transmissões eletrônicas. Fontes que circulam entre autoridades americanas e brasileiras avaliam que os Estados Unidos poderão aumentar as taxas sobre produtos brasileiros.

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"Demos seguimento à agenda estabelecida pelos presidentes Lula e Trump, discutimos os impactos econômicos do conflito no Estreito de Ormuz e as medidas adotadas pelos dois países, além de avançarmos nas tratativas sobre o comércio bilateral", escreveu o ministro no X (ex-Twitter).

Ele destacou ainda um acordo para avançar na formalização de um mecanismo de cooperação entre a Receita e a alfândega norte-americana como combate ao crime organizado, focado na repressão ao tráfico de armas e drogas.

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