A mineradora brasileira Serra Verde, que detém a única mina de argilas iônicas ativa do país, foi adquirida pela empresa norte-americana USA Rare Earth (USAR) em uma transação avaliada em aproximadamente R$ 14 bilhões (equivalente a US$ 2,8 bilhões). O anúncio da compra, feito recentemente pelas companhias, representa um movimento estratégico significativo no mercado global de terras raras, minerais essenciais para a indústria de alta tecnologia e defesa.

A Serra Verde opera a mina de Pela Ema, localizada em Minaçu, Goiás, e é um player crucial ao ser a única produtora das quatro terras raras pesadas mais críticas e valiosas – Disprósio (Dy), Térbio (Tb) e Ítrio (Y) – fora da Ásia. Essa posição é particularmente relevante, uma vez que mais de 90% da extração mundial de terras raras é atualmente controlada pela China. Esses materiais são indispensáveis na fabricação de ímãs permanentes usados em veículos elétricos, turbinas eólicas, robôs, drones, aparelhos de ar-condicionado de alta eficiência, além de setores como semicondutores, defesa, nuclear e aeroespacial.

Para os Estados Unidos, a aquisição é um pilar fundamental na estratégia de diversificar e garantir o acesso a esses recursos vitais, diminuindo a vulnerabilidade a possíveis interrupções na cadeia de suprimentos dominada pela China. O contrato prevê um acordo de fornecimento de 15 anos, no qual 100% da produção da Fase I da Serra Verde será destinada a uma Empresa de Propósito Específico (SPV) capitalizada por diversas agências do governo norte-americano e fontes de capital privado. Essa garantia de fornecimento, com preços mínimos assegurados para as terras raras magnéticas, proporciona estabilidade para a operação brasileira e segurança para a indústria dos EUA.

A expectativa é que a união entre Serra Verde e USAR resulte na formação de uma empresa multinacional líder global no setor, com oito operações no Brasil, EUA, França e Reino Unido, abrangendo toda a cadeia de suprimentos, da mineração à fabricação de ímãs. A produção em Goiás, atualmente na Fase I e considerada modesta, tem projeção de dobrar até 2030, reforçando a capacidade do Brasil de desempenhar um papel de liderança no desenvolvimento das cadeias globais de terras raras e consolidando a qualidade e as práticas responsáveis da operação brasileira.