O renomado economista e ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, acendeu um alerta sobre a possibilidade real de o Brasil enfrentar uma recessão em 2027. Em entrevista recente, Fraga descreveu a situação fiscal do país como "desastrosa" e "insustentável", apontando o encurtamento do perfil da dívida pública pelo próprio governo como um "sinal claríssimo de que a situação está difícil". Ele enfatizou a necessidade de uma "peneirada" na economia, dada a gravidade do quadro geral.
Fraga detalhou que o mercado de crédito já apresenta sinais preocupantes que historicamente antecedem períodos de recessão, recomendando enfaticamente que empresas e cidadãos "preservem o caixa e não peguem empréstimos". Para o economista, a dificuldade de planejamento financeiro da população e o uso de empréstimos como "paliativos" com "custo fatal" agravam o cenário. Desde 1994, o crescimento per capita brasileiro acumulou apenas 1,3%, um índice considerado "muito modesto, para não dizer medíocre" por Fraga.
O ex-presidente do BC contestou a ideia de que o Brasil já pratica austeridade fiscal, questionando como isso seria possível com o gasto público saltando de um quarto para um terço do PIB nas últimas quatro décadas. Segundo ele, o problema reside na "falta de prioridade", e não na escassez de recursos. Fraga destacou os gastos tributários, que somam 9% do PIB entre subsídios e benefícios fiscais, como um alvo central para cortes, defendendo a redução de pelo menos 3 pontos percentuais. Ele também criticou as distorções no sistema tributário, onde indivíduos com a mesma renda podem ser tributados em alíquotas drasticamente diferentes.
Ao analisar o cenário político-econômico, Fraga criticou o arcabouço fiscal do governo atual, afirmando que ele "chutou o pau da barraca logo de cara", resultando em "juros altos" comparados a uma "febre persistente". Ele traçou um paralelo entre a condução fiscal atual e o governo de Dilma Rousseff, alertando para os riscos de "estourar as contas" em busca de votos. Embora veja o presidente Lula como favorito para 2026, Fraga sugeriu que o país necessitaria de um "governo do estilo Lula 1", e não do perfil atual. Sobre potenciais candidatos, mencionou Ronaldo Caiado e Romeu Zema como alternativas com maior potencial de apoio congressual, ao passo que criticou Flávio Bolsonaro pela gestão do governo de seu pai.
