A carta destaca que, apesar dos avanços médicos, o Parkinson ainda é subdiagnosticado e frequentemente reduzido ao tremor — uma visão simplificada que ignora impactos profundos na autonomia, comunicação e qualidade de vida dos pacientes. A entidade chama a atenção para o sofrimento silencioso de milhares de brasileiros e para as falhas no acesso ao diagnóstico e ao tratamento adequado.
O documento propõe três frentes prioritárias de avanço no Brasil: diagnóstico precoce e qualificado, ampliação do cuidado integral no Sistema Único de Saúde (SUS) e a construção de políticas públicas sustentáveis baseadas em evidência. A entidade reforça que o envelhecimento da população tende a ampliar significativamente o número de casos nos próximos anos.
Entre os pontos críticos, está o atraso no diagnóstico, muitas vezes causado pela falta de capacitação na atenção primária. Além disso, o modelo de tratamento ainda é centrado na medicação, sem incorporar de forma estruturada terapias como fisioterapia, fonoaudiologia e suporte psicológico — fundamentais para preservar a funcionalidade dos pacientes.
Ao final, a presidente reforça o papel da sociedade, gestores e profissionais de saúde na transformação desse cenário. “Mais do que ampliar o debate, é preciso transformá-lo em ação”, destaca o documento.
CARTA ABERTA À SOCIEDADE, À CLASSE MÉDICA E AOS GESTORES PÚBLICOS
Mês de Conscientização da Doença de Parkinson
“A Doença de Parkinson ainda é, no Brasil, uma condição subdiagnosticada, subtratada e frequentemente compreendida de forma limitada. Reduzi-la ao tremor é ignorar sua complexidade clínica, seu impacto funcional e, sobretudo, o sofrimento silencioso de milhares de brasileiros.
O Parkinson compromete autonomia, comunicação, mobilidade e qualidade de vida. Afeta não apenas quem recebe o diagnóstico, mas toda a sua rede de apoio. E, ainda assim, seguimos convivendo com atrasos diagnósticos, acesso desigual ao tratamento e ausência de políticas públicas estruturadas que contemplem o cuidado integral.
É diante desse cenário que a Associação Brasil Parkinson reafirma seu compromisso com a sociedade brasileira.
Ao longo de 40 anos, a Associação tem atuado de forma consistente na promoção da informação qualificada, no acolhimento de pacientes e familiares e na defesa de um modelo de cuidado que vá além do tratamento medicamentoso, integrando reabilitação, suporte emocional e acompanhamento contínuo.
Acreditamos que o enfrentamento do Parkinson no Brasil exige uma mudança de paradigma.
É fundamental avançar em três pilares centrais:
Diagnóstico precoce e qualificado A identificação dos sinais iniciais da doença ainda é um desafio, inclusive na atenção primária. Propomos a ampliação de programas de capacitação para profissionais de saúde, com foco em reconhecimento precoce e encaminhamento adequado, reduzindo o tempo entre os primeiros sintomas e o diagnóstico definitivo.
Cuidado integral no Sistema Único de Saúde (SUS) O tratamento do Parkinson não pode se limitar à prescrição medicamentosa. Defendemos a incorporação estruturada de abordagens multiprofissionais no SUS, incluindo fisioterapia especializada, fonoaudiologia, terapia ocupacional e suporte psicológico, garantindo funcionalidade e qualidade de vida ao paciente.
Políticas públicas sustentáveis e baseadas em evidência É urgente incluir a Doença de Parkinson de forma mais robusta nas agendas de saúde pública, com planejamento, financiamento adequado e integração entre os níveis de atenção. O envelhecimento da população brasileira e o aumento do número de casos em todo o mundo torna essa pauta ainda mais relevante e inadiável.
A Associação Brasil Parkinson se coloca como parceira técnica e institucional na construção dessas soluções. Nosso compromisso é contribuir com conhecimento, experiência clínica, articulação social e atendimento ao SUS em nossa sede, fortalecendo políticas públicas eficazes, humanizadas, promovendo saúde e bem-estar e reduzindo as desigualdades de acesso.
Mais do que ampliar o debate, é preciso transformá-lo em ação. Neste mês de conscientização, convidamos gestores, profissionais de saúde, formadores de opinião e toda a sociedade a olharem para o Parkinson com mais profundidade, responsabilidade e compromisso.
Cuidar da pessoa com Parkinson é preservar sua dignidade, sua autonomia e seu lugar na sociedade. E isso não pode esperar.”
Erica Tardelli, Associação Brasil Parkinson
Leia mais: “Vício em redes sociais não existe”, artigo de Frank Furedi, da Spiked, publicado na Edição 316 da Revista Oeste
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