O Brasil atravessa um momento crítico no que diz respeito ao hábito de leitura. Dados recentes revelam que a média anual de livros lidos por habitante é de apenas 3,96, o índice mais baixo já registrado. Em contraste, países como Estados Unidos, Reino Unido e França apresentam índices de 14 a 17 livros por ano. A situação se agrava com a constatação de que 53% dos brasileiros não leram nenhum livro nos últimos três meses, e o país perdeu 6,7 milhões de leitores nos últimos quatro anos, configurando pela primeira vez uma maioria de não leitores.
A reversão desses números é vista como essencial para o avanço do país em médio e longo prazos. A falta de leitura e estudo contínuos é apontada como um obstáculo direto ao desenvolvimento, impedindo o Brasil de alcançar patamares de inovação, produtividade e qualidade de vida observados em nações como China, Japão e Coreia do Sul, que mantêm indicadores de leitura significativamente superiores.
As causas para esse cenário são multifacetadas. Enquanto a responsabilidade dos pais no incentivo à leitura é reconhecida, o poder público, em todas as esferas, é apontado como o principal agente do "patinamento" nacional. A falta de prioridade na educação, refletida no tratamento de livros e materiais didáticos como mercadorias comuns e não como patrimônio nacional, agrava o problema. A proposta é que livros tenham tributação zero e que o governo promova subsídios para sua produção e distribuição, especialmente para bibliotecas públicas e escolares, seguindo exemplos de sucesso de países asiáticos.
Além da questão tributária, são necessárias medidas concretas nas escolas. Investimentos em infraestrutura, salas de aula adequadas, bibliotecas, laboratórios e quadras esportivas são fundamentais para criar um ambiente propício ao aprendizado e à formação de leitores. É preciso, ainda, resgatar o respeito e a liberdade do professor, focando o ensino no desenvolvimento do pensamento crítico, sem doutrinação ideológica ou partidária. Concursos, premiações e olimpíadas de conhecimento, inspirados em eventos esportivos, poderiam estimular o engajamento de crianças e adolescentes com a leitura e o saber, combatendo a ignorância e a vulnerabilidade a discursos vazios.
