A produtividade no Brasil enfrenta um desafio crônico, com especialistas apontando diversos fatores que limitam o crescimento econômico do país. Um recente levantamento do FGV Ibre revelou uma queda de 0,5% na produtividade por hora trabalhada no primeiro trimestre do ano, reforçando uma tendência preocupante que se arrasta há décadas. Embora outros indicadores baseados em horas habitualmente trabalhadas e por população ocupada tenham apresentado avanços modestos, a tendência geral é de estagnação ou declínio.
Gilvan Bueno, colunista do CNN Money, destaca que a falta de mão de obra qualificada é um dos principais entraves. Ele ressalta a defasagem em áreas como engenharia, o que dificulta o avanço de setores tecnológicos como a Inteligência Artificial. Bueno critica o baixo investimento do Brasil em educação, que representa apenas 5% do PIB, contrastando com países como a Suíça, que investem significativamente mais. Essa carência de profissionais qualificados impõe desafios às empresas, impactando setores como a indústria, que tem encolhido nos últimos 25 anos.
Bueno também aponta que o crescimento do PIB brasileiro é sustentado mais por commodities e estímulos pontuais, como programas de transferência de renda e incentivos fiscais, do que por uma força produtiva robusta. A estrutura econômica do país, com cerca de 70% do PIB vindo do setor de serviços, 20-25% da agropecuária e apenas 5% da indústria, além da concentração de empregos em atividades de menor remuneração, contribui para esse cenário de instabilidade.
Carla Beni, do Corecon-SP e professora da FGV, acrescenta que o alto custo de capital, impulsionado pela taxa básica de juros (Selic), é outro fator que prejudica a competitividade brasileira. Apesar dos recentes cortes, a Selic ainda se encontra em patamares elevados (14,25%), o que dificulta investimentos e aumenta o endividamento e a inadimplência de famílias e empresas. Com uma taxa de juros real superior a 9%, o Brasil se destaca internacionalmente, inviabilizando negócios e contribuindo para que 81,6% das famílias brasileiras possuam algum tipo de dívida, com 50,5% da população adulta inadimplente.
