O Banco Central do Brasil anunciou um prejuízo consolidado de R$ 119,97 bilhões referente ao exercício de 2025. O resultado negativo foi fortemente influenciado pela desvalorização de 11,18% do dólar em relação ao real no ano passado, o que gerou perdas substanciais nas operações cambiais, incluindo swaps e a variação das reservas internacionais.

As operações cambiais, que englobam a venda de dólares no mercado futuro e a movimentação das reservas internacionais, registraram um prejuízo de R$ 150,26 bilhões. Essa perda ocorre no momento de converter as operações em moeda estrangeira para reais, em um cenário de dólar em baixa. O impacto negativo, contudo, foi parcialmente mitigado por um lucro operacional de R$ 30,29 bilhões, que reflete os ganhos provenientes da própria atividade do Banco Central.

A dinâmica entre o Banco Central e o Tesouro Nacional foi alterada por uma legislação de 2019, que regulamenta a destinação dos resultados da autoridade monetária. Diferentemente de anos anteriores, o lucro operacional do BC não será repassado ao Tesouro. Em vez disso, o prejuízo cambial de R$ 150,26 bilhões será absorvido por uma reserva interna da instituição, constituída por lucros cambiais acumulados em períodos anteriores, destinada a cobrir eventuais perdas.

Essa reserva, que inicialmente totalizava R$ 263,08 bilhões, foi reduzida para R$ 112,82 bilhões após cobrir as perdas de 2025. Em contraste, o Banco Central registrou seu recorde de lucro em 2020, atingindo R$ 469,61 bilhões, impulsionado pela forte valorização do dólar frente ao real durante a pandemia de Covid-19. Vale ressaltar que a Lei Complementar 179, de 2022, alterou a apuração e divulgação dos resultados do BC de semestral para anual, com o balanço sendo publicado em fevereiro ou março.