O Banco Mundial divulgou, nesta quarta-feira, 8, um relatório sobre a economia da América Latina e do Caribe. O documento destaca que a Argentina sobressai, enquanto Brasil e México sofrem com perda de dinamismo devido a “condições financeiras internas restritivas, espaço fiscal limitado e incerteza comercial”.
No relatório, a instituição afirma que, apesar da leve melhora nas condições financeiras globais e da alta dos preços das commodities, o crescimento da região permanece limitado. O consumo lidera a atividade, mas o impulso segue modesto, à medida que a renda real se recupera e o custo do crédito continua elevado.
O Banco Mundial projeta expansão real do Produto Interno Bruto argentino de 3,6% em 2026, abaixo dos 4,4% de 2025 e do recuo de 1,3% em 2024.
O relatório ressalta que o presidente argentino, Javier Milei, avançou em reformas fiscais e estruturais para conter a inflação e estimular o crescimento. Entre as medidas, estão reforma tributária, incentivo a grandes investimentos, reforma trabalhista e melhorias no ambiente de negócios.
A parceria estratégica com os Estados Unidos para fortalecer cadeias de suprimento de minerais críticos também contribuiu para atrair investimentos na Argentina. O documento ressalta, porém, que riscos permanecem devido à necessidade de financiamento externo e reservas líquidas negativas.
Para o Brasil, o Banco Mundial projeta crescimento de 2,2% em 2026, abaixo dos 2,8% em 2025 e dos 3,4% em 2024. O relatório atribui a desaceleração a juros altos, espaço fiscal restrito e incertezas políticas.
Durante o governo Lula, aumento de tributos e gastos sociais dificultaram a obtenção do superávit primário. O Banco Mundial revela que a demanda doméstica e o crédito seguem pressionados, enquanto a inadimplência cresce gradualmente, embora ainda esteja em níveis moderados historicamente.
Diante desse cenário, o governo federal planeja, em pleno ano eleitoral, programas para reduzir o endividamento da população, incluindo unificação de dívidas e uso limitado de recursos do FGTS para pagamento de débitos. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, os descontos em juros podem chegar a 90% em alguns casos.
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"“O principal fator limitante é o investimento, que permanece contido, enquanto empresas aguardam sinais mais claros sobre políticas internas e ambiente externo”, afirma o Banco Mundial, em trecho do material. “A Argentina é exceção positiva, com estabilização e reformas que melhoram expectativas e condições financeiras.”"
