A Biolab Farmacêutica, grupo que reúne seis marcas e cerca de 900 produtos nas áreas de saúde humana, saúde veterinária e nutrição animal, e a suíça Sandoz anunciaram nesta quarta-feira (19), em São Paulo, uma parceria para comercializar o Owozy, medicamento injetável à base de semaglutida sintética indicado para adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlado. Segundo as empresas, o produto deve chegar ao mercado no último trimestre de 2026. A Anvisa aprovou o registro do medicamento em julho, em um grupo de cinco novas canetas de semaglutida obtida por síntese química. A Sandoz tem sede em Basileia e atua em medicamentos genéricos e biossimilares
“A chegada de Owozy ao mercado brasileiro representa uma oportunidade importante de ampliar o acesso a uma opção terapêutica de qualidade para o tratamento do diabetes tipo 2”, afirma Isabella Wanderley, presidente da Sandoz Brasil. Pelo acordo, a Biolab ficará responsável pela estratégia de promoção junto aos médicos e pela comercialização, enquanto a Sandoz responderá pelo fornecimento do produto.
O Owozy foi registrado pela Anvisa em nome da Ávita Care Importação e Distribuição de Produtos. Segundo Biolab e Sandoz, o medicamento resulta de uma plataforma global de desenvolvimento conduzida pela Adalvo, com a Ávita Care como representante regulatória local durante o processo de aprovação. O acordo anunciado agora estabelece a divisão comercial entre as duas farmacêuticas para a entrada do produto no país.
A chegada ocorre em meio ao aumento do número de versões sintéticas de semaglutida aprovadas pela agência reguladora. Em 29 de julho, além do Owozy, receberam registro Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema. Os produtos foram registrados por comparação com o medicamento biológico Ozempic e são indicados para adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlado. Segundo a Anvisa, 11 dos 24 medicamentos sintéticos e biológicos incluídos no processo de análise prioritária já haviam concluído a avaliação até julho, resultando em seis aprovações.
O mercado ao qual essas empresas chegam acompanha o aumento da prevalência da doença. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Diabete Melito Tipo 2, atualizado pelo Ministério da Saúde em fevereiro de 2026, aponta prevalência estimada de 12,9% no país, com mais de 26 milhões de pessoas diagnosticadas. O documento informa ainda que aproximadamente 95% dos casos de diabetes correspondem ao tipo 2 e cita estimativa de que 31,9% das pessoas com a doença permanecem sem diagnóstico.
Outra série do Ministério da Saúde mostra a progressão dos diagnósticos ao longo de quase duas décadas. O Vigitel registrou aumento da frequência de adultos que referiram diagnóstico médico de diabetes de 5,5% em 2006 para 12,9% em 2024. O levantamento é realizado com adultos das capitais dos 26 estados e do Distrito Federal e, por isso, não representa uma contagem direta da população brasileira com a doença. Entre 2019 e 2024, o indicador passou de 8,2% para 12,9%.
“Os medicamentos da classe GLP-1 estão em um momento de expansão e o nosso papel, como líder em cardiologia, é garantir que a inovação chegue ao paciente com responsabilidade e orientação médica”, afirma Fabio Amorosino, presidente da Biolab & Co.
Segundo o executivo, a companhia utilizará sua força de vendas para apresentar o medicamento aos profissionais de saúde que acompanham pacientes com diabetes e doenças cardiometabólicas.
Os agonistas do receptor de GLP-1 atuam em mecanismos relacionados à produção de insulina e ao controle da glicemia. No caso do Owozy e dos demais produtos registrados em julho, a indicação aprovada pela Anvisa é para o tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlado. A agência autorizou o uso como complemento à dieta e aos exercícios, inclusive quando a metformina é considerada inadequada por intolerância ou contraindicação.
As novas versões não são classificadas pela Anvisa como medicamentos genéricos convencionais. Elas utilizam semaglutida produzida por síntese química e foram avaliadas por comparação com um produto cuja substância ativa foi originalmente obtida por processo biológico. A agência informa que a análise desses medicamentos inclui estudos clínicos, documentação técnica e inspeção da linha estéril de produção.
O Owozy será vendido em sistema de aplicação preenchido, na forma de caneta multidose descartável, para administração semanal. As apresentações informadas pelas empresas contêm solução injetável de semaglutida na concentração de 1,34 mg por mililitro. Uma versão possui 1,5 mililitro, acompanhada de uma caneta e seis agulhas, e outra contém 3 mililitros, com uma caneta e quatro agulhas.
Segundo a Sandoz, sob refrigeração a caneta pode ser armazenada por até 24 meses e, depois de retirada da geladeira para uso, permanecer por até 42 dias em temperatura de até 30 ºC, conforme as condições descritas em bula. A empresa apresenta o Owozy como a primeira versão de semaglutida sintética aprovada no país com essa condição de estabilidade durante o uso. A afirmação se refere ao armazenamento do produto, e não à primeira aprovação de uma semaglutida sintética no mercado nacional.
"“Os medicamentos da classe GLP-1 estão em um momento de expansão e o nosso papel, como líder em cardiologia, é garantir que a inovação chegue ao paciente com responsabilidade e orientação médica”, afirma Fabio Amorosino, presidente da Biolab & Co."

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