O jornalista Maurício Locks, em artigo de opinião, aborda uma crença equivocada predominante no marketing político: a de que eleitores indecisos ou desinteressados em política estariam protegidos dos efeitos das redes sociais por não consumirem ativamente conteúdo eleitoral.

Locks classifica essa percepção como um "ledo engano", explicando que a verdadeira força das bolhas digitais não se limita à conversão de indivíduos já engajados politicamente. A influência mais profunda e perigosa reside na capacidade dessas plataformas de moldar a visão de mundo e as percepções de cidadãos que não buscam ativamente informações políticas, mas que são expostos a um fluxo constante de narrativas e informações filtradas.

Essa dinâmica cria uma "força invisível" que atua de maneira insidiosa. Mesmo sem clicar em links de notícias políticas ou seguir perfis partidários, o eleitor é bombardeado por memes, vídeos curtos, comentários e desinformação que reforçam determinados pontos de vista. Esse ambiente controlado e repetitivo pode alterar sutilmente a opinião pública, criar ou reforçar preconceitos e influenciar decisões de voto de forma decisiva, sem que o indivíduo perceba estar sob influência direta.

A análise levanta um alerta crucial para campanhas e para o debate público. Ignorar o impacto das bolhas digitais sobre o eleitorado menos engajado é subestimar uma das ferramentas mais poderosas – e, por vezes, destrutivas – da comunicação política contemporânea. A capacidade de formar opiniões e direcionar votos, mesmo que de forma indireta, torna a compreensão desse fenômeno essencial para a saúde democrática.