O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) anunciou nesta terça-feira que 72.960 vagas de emprego com carteira assinada foram criadas em maio, com base em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Este é o resultado mais baixo para o mês desde 2020, segundo a série histórica do MTE.
Em maio, foram 2.207.303 admissões e 2.134.343 desligamentos. Este foi o menor saldo do ano.
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Os dados sinalizam que o país pode estar chegando em uma situação de pleno emprego, com uma desaceleração a partir de abril, quando também foi registrado um resultado baixo, com cerca de 79 mil empregos abertos. O número é menos da metade do saldo de março, quando foram abertas quase 229 mil vagas.
Neste mês, foram registrados saldos positivos nos setores de serviços (+45.655), construção (+12.096), indústria (+4.974), agropecuária (+10.205). O comércio teve o pior desempenho, com um saldo de apenas 40 admissões.
O resultado de maio é menos da metade do saldo registrado no mesmo período do ano passado, que teve 153 mil vagas criadas.
Mercado aquecido: saiba por que a taxa de desemprego se mantém na mínima histórica Desemprego deve continuar baixo, apesar da desaceleração da economia, explicam especialistas No acumulado deste ano, entre janeiro e maio, o saldo foi de 762.326 postos de trabalho, representando um crescimento de 1,6%. No entanto, o acumulado destes primeiros cinco meses é o menor desde 2020, durante a pandemia, quando o saldo foi negativo em 1,3 milhão de vagas.
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O salário médio real na contratação também diminuiu em maio, reduzindo R$ 17,97, para R$ 2.384,10 , representando uma diminuição de aproximadamente 0,75% em relação à abril.
Na entrevista coletiva de apresentação dos dados de maio, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, atribuiu os baixos resultados registrados nos últimos dois meses à política monetária conduzida pelo Banco Central (BC), que tem estabelecido a taxa de juros em patamares altos.
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Segundo ele, o conflito no Oriente Médio também pode ter influenciado negativamente setores da economia.
— A política monetária, do jeito que está, vem gerando efeito muito negativo no mercado de trabalho, que era para estar mais positivo, mas não podemos esquecer do efeito guerra, tem um efeito grande nas tarifas, que criou um caos global e tem seus efeitos no Brasil também — disse o ministro.
Apesar da desaceleração apresentada nos últimos meses, a taxa de desemprego no Brasil segue no menor patamar histórico. O índice fechou o trimestre até maio em 5,6%.
Especialistas, no entanto, alertam que o mercado de trabalho pode estar entrando em uma situação próxima de pleno emprego, quando falta mão de obra para vagas ofertadas.
A chamada taxa de subutilização da força de trabalho — que reúne pessoas que gostariam de trabalhar mais horas, desempregados, e as que estão disponíveis para trabalhar, mas desistiram de procurar vaga ou ainda não conseguiram buscar emprego — caiu para 13,3%, o menor nível de toda a série histórica iniciada em 2012.
— Não seria equivocado dizer que a economia brasileira já opera além de sua capacidade potencial (com pleno emprego), dada a disputa por mão de obra e o crescimento da massa salarial — diz João Mário de França, pesquisador do FGV Ibre.
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