O governo brasileiro, sob a liderança do Palácio do Planalto e do Itamaraty, manifestou a intenção de conduzir uma análise criteriosa e sem pressa para a indicação de Daniel Perez, político republicano designado para ser o novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil. A nomeação, feita pelo presidente Donald Trump no início de junho, visa preencher um cargo vago em Brasília desde o começo do governo Trump. Perez, que é deputado estadual pela Flórida e tem forte ligação com o Secretário de Estado americano, Marco Rubio, já foi sabatinado pelo Comitê de Relações Exteriores do Senado dos EUA. Contudo, a formalização de sua posição depende do "agrément", o pedido de consentimento oficial do governo brasileiro, cuja resposta pode se estender para além das eleições presidenciais americanas deste ano.

Fontes do governo Lula indicam que a demora na concessão do aval está relacionada à percepção de uma possível tentativa de interferência dos Estados Unidos no cenário político brasileiro, especialmente no contexto da disputa eleitoral e da aplicação de "tarifaços" comerciais. A própria gestão Trump levou um período considerável, dezoito meses, para indicar um embaixador para o Brasil, o que, segundo o governo brasileiro, justifica a ausência de urgência na aprovação do nome de Perez. A diplomacia brasileira ressalta a importância da presença de um embaixador americano, mas reitera que não há pressa para a formalização.

Daniel Perez, durante sua sabatina nos EUA, abordou temas como organizações criminosas transnacionais e a "crescente presença de potências externas competindo por influência na região", sem contudo mencionar explicitamente a China. Ele também destacou as "vastas reservas de minerais críticos" existentes no Brasil. Apesar de não haver ressalvas imediatas às suas declarações públicas, a análise governamental brasileira envolverá a verificação de posicionamentos anteriores do indicado, incluindo eventuais críticas a autoridades do país. A aprovação final de Perez ainda depende do Comitê de Relações Exteriores e do plenário do Senado americano, com a possibilidade de votação ser adiada para setembro, após o recesso parlamentar.

A Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, tratado do qual Brasil e Estados Unidos são signatários, não estabelece um prazo para a concessão do "agrément". Este consentimento é uma formalidade diplomática que pode ser concedida em semanas, meses ou até mesmo não ocorrer, sem que o país anfitrião precise justificar sua decisão, conforme o artigo 4º do tratado. Um precedente para essa situação ocorreu em agosto de 2025, quando Israel retirou a indicação de seu diplomata para embaixador no Brasil após uma demora na concessão do "agrément" pelo governo Lula, em meio a uma crise diplomática. Na ocasião, o Brasil também retirou seu embaixador de Israel e, até o momento, não apresentou um novo nome.