O Brasil se encontra sob um risco "iminente" de reintrodução do sarampo, conforme alerta recente emitido pelo diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde. Este aviso surge apesar de o país ter sido novamente declarado livre da circulação do vírus pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2024, após ter perdido essa certificação em 2019 devido a um surto com mais de 21,7 mil casos. Até o momento em 2024, foram registrados três casos da doença no território nacional, com 468 suspeitas ainda sob investigação, evidenciando a fragilidade da situação epidemiológica atual.

A ameaça é intensificada pelo preocupante aumento de casos de sarampo em todo o continente americano. Dados da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) revelam que, em 2025, os Estados Unidos, Canadá e México – países-sede da Copa do Mundo de 2026 – concentraram 67% das infecções da região. Esse cenário de alta circulação viral representa um risco considerável para os turistas que planejam viajar para acompanhar os jogos, podendo resultar na reimportação do vírus para o Brasil. Especialistas reforçam que, mesmo com uma cobertura vacinal adequada, nenhum país está imune a um "respingo" de uma situação global fora de controle, sendo crucial a vigilância e a vacinação prévia para quem pretende viajar.

Internamente, o Brasil apresenta desafios significativos. Embora a cobertura vacinal em 2025 tenha sido de 92,66% para a primeira dose e 78,02% para o reforço, há um contingente de adolescentes e jovens adultos que não completaram o esquema vacinal. Essa lacuna é atribuída, em parte, à diminuição da percepção da gravidade da doença, que se tornou rara nas últimas décadas, gerando complacência. Além disso, a existência de "bolsões" de baixa cobertura vacinal em diversas localidades do país, como apontam especialistas, cria focos vulneráveis onde a reintrodução do vírus poderia rapidamente escalar para um surto, desafiando a robustez do Programa Nacional de Imunizações, que desde 1968 atua no controle da doença.

Somando-se às vulnerabilidades, o discurso antivacina e a desinformação exercem pressão sobre a decisão dos pais de imunizar seus filhos, atrasando o calendário vacinal. Paralelamente, a precarização da estrutura de saúde em alguns municípios compromete a efetividade das campanhas. Relatos de agentes comunitários de saúde no Norte do país, por exemplo, apontam para a falta de equipamentos e o desvio de função, impedindo o trabalho essencial de busca ativa e registro de notificações. Essas deficiências estruturais, combinadas com a hesitação vacinal, criam um ambiente propício para a propagação do sarampo, tornando a vacinação completa a medida mais eficaz para proteger a população e evitar um retrocesso nos avanços da saúde pública brasileira.