Em uma última tentativa de evitar um "tarifaço" iminente, o governo brasileiro realizou uma reunião remota com representantes dos Estados Unidos, incluindo o chefe do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), Jamieson Greer. Durante o encontro, o Planalto reiterou sua posição de que as tarifas propostas, baseadas em uma investigação da "seção 301" e na alegação de falta de controle sobre trabalho forçado, são "injustas" e não representam o caminho adequado para um acordo bilateral.
A delegação brasileira, composta por membros do Palácio do Planalto, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE), defendeu que as razões apontadas pelos EUA não justificam a aplicação das taxas, especialmente a de 12,5% que ameaça o Brasil e outros 59 países. A postura brasileira busca evitar "custos pesados" para ambas as economias, argumentando que a imposição de sobretaxas prejudicaria as relações comerciais.
O governo brasileiro traçou três cenários possíveis para a decisão que os Estados Unidos devem tomar em breve. O mais provável, segundo auxiliares do presidente Lula, é a aplicação da tarifa com base na investigação "seção 301", considerando a postura americana em reuniões anteriores e o histórico negocial da administração anterior. Cenários menos prováveis incluem o adiamento da taxação, com especulações sobre motivações políticas internas nos EUA, ou a postergação para negociações técnicas mais aprofundadas.
Como parte de sua estratégia de defesa, o Brasil apresentou um plano detalhado com medidas que poderiam ser adotadas para atender às preocupações americanas em relação aos seis eixos da investigação, que abordam desde corrupção até o controle do desmatamento. No entanto, o governo brasileiro enfatizou que o sistema de pagamentos instantâneos PIX é inegociável e foi excluído do documento. Algumas das medidas propostas pelo Brasil já estão em tramitação no Congresso Nacional ou são de natureza infralegal. Em reuniões anteriores, o foco esteve na discussão tarifária, com o Brasil acenando com a possibilidade de reduzir taxas para cerca de 300 linhas tarifárias, de forma a beneficiar vários países e setores onde os EUA teriam maior competitividade, sem prejudicar a indústria nacional, em conformidade com as diretrizes da OMC.
