O Brasil registrou uma queda significativa em seu desempenho no Índice de Competitividade Global, ocupando agora a 65ª posição entre 70 países avaliados. O levantamento aponta um retrocesso em áreas cruciais para o desenvolvimento econômico, como práticas de gestão, economia local, controle de preços, produtividade e eficiência, além de política tributária e mercado de trabalho. A infraestrutura tecnológica também mostrou sinais de enfraquecimento no posicionamento do país.
A metodologia do índice baseia-se em uma combinação de percepções de executivos e dados estatísticos robustos, analisando quatro pilares fundamentais: desempenho econômico geral, eficiência governamental, eficiência empresarial e qualidade da infraestrutura. Dentro de cada um desses pilares, diversos subfatores são escrutinados, revelando as fragilidades específicas que contribuem para a atual colocação do Brasil.
No cenário político-econômico, o Congresso Nacional discute a alteração da jornada de trabalho, com o potencial fim da escala 6x1. Embora o governo federal argumente que a mudança poderia impulsionar pequenos negócios e o consumo, diversas associações empresariais e especialistas divergem. Entidades como a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI), juntamente com economistas, alertam que a medida pode, na verdade, elevar os custos operacionais, pressionar a inflação e prejudicar micro e pequenas empresas, que são as maiores empregadoras do país.
Estimativas apresentadas pelas entidades setoriais indicam um possível aumento nos custos da mão de obra, variando entre 12,7% no comércio e até 17,57% em cenários mais amplos. Na indústria, empresas de menor porte poderiam enfrentar elevações de até 13%. Paralelamente, dados do Observatório da Produtividade Regis Bonelli, da Ibre FGV, revelam um avanço modesto na eficiência do trabalho em 2025, restrito ao agronegócio, enquanto a indústria e os serviços apresentaram retração. Esses indicadores somam-se às preocupações sobre a capacidade do Brasil de reverter sua trajetória de competitividade.