O Governo Federal lançou um pacote de investimentos sem precedentes para impulsionar inovações voltadas à saúde da mulher, com foco em endometriose, dor pélvica e saúde menstrual dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa, que representa o maior aporte financeiro já dedicado a essas áreas, é resultado de uma chamada pública do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com apoio do Instituto Alana. O objetivo principal é estimular o desenvolvimento de soluções tecnológicas e a criação de uma rede nacional de pesquisa, cujos resultados sejam diretamente aplicados no SUS, visando aprimorar diagnósticos, tratamentos e fortalecer a atenção integral à saúde feminina.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou a importância do investimento, destacando que a endometriose afeta cerca de 8 milhões de mulheres no Brasil, especialmente adolescentes. Ele enfatizou o compromisso do governo em construir uma política pública robusta no SUS para lidar com a questão de forma eficaz. Já a ministra Luciana Santos, da Ciência, Tecnologia e Inovação, pontuou que a dificuldade de acesso ao diagnóstico e o impacto da dor na rotina de meninas e mulheres configuram um grave problema de saúde pública, que exige uma resposta estatal. O investimento, segundo ela, reafirma o papel da ciência como ferramenta de cuidado, inclusão e promoção da qualidade de vida.

A chamada pública, que será operacionalizada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), abrangerá cinco eixos temáticos cruciais: causa e prevenção da doença, diagnóstico, tratamento, criação de biorrepositórios para coleta de materiais biológicos e análise do impacto social das condições. A expectativa é que as pesquisas contribuam significativamente para diminuir as lacunas de conhecimento sobre a endometriose, uma doença crônica frequentemente subdiagnosticada, que atinge aproximadamente uma em cada dez meninas e mulheres e pode levar anos até sua identificação.

O ministro Padilha relembrou que, no ano passado, o SUS instituiu o primeiro protocolo clínico para o tratamento da endometriose, inserido no programa Agora Tem Especialistas. Essa medida buscou alinhar diretrizes assistenciais e o financiamento para o cuidado integrado. Foi criada, inclusive, uma tabela específica para remunerar um conjunto de ações que incluem consulta, diagnóstico e tratamento. Ele observou que alguns estados já apresentaram avanços notáveis, com o número de mulheres atendidas, diagnosticadas e em tratamento para endometriose mais do que dobrando. No entanto, o ministro reconheceu que, apesar desses progressos, a dimensão do problema ainda demanda esforços contínuos e ampliados.