O Brasil dará um impulso significativo à pesquisa científica e ao desenvolvimento de tecnologias voltadas para a saúde menstrual, dor pélvica e endometriose. Um investimento total de R$ 60 milhões será direcionado para essas áreas, com R$ 50 milhões provenientes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O montante visa fomentar soluções aplicáveis ao Sistema Único de Saúde (SUS), e as propostas serão escolhidas através de uma chamada pública do CNPq.
O investimento reflete um compromisso governamental em lidar com a endometriose e a dor menstrual como questões de saúde pública. Luciana, em declaração, ressaltou que o "problema de saúde pública que exige resposta do Estado" quando meninas faltam à escola ou mulheres enfrentam anos para obter um diagnóstico. O governo vê a ciência como ferramenta essencial para o cuidado, inclusão e melhoria da qualidade de vida das mulheres brasileiras.
A chamada pública do CNPq delineou cinco eixos temáticos cruciais para as pesquisas: causa e prevenção, diagnóstico, tratamento, biorrepositório (acúmulo de materiais biológicos para estudos específicos) e impacto social. O foco é preencher as lacunas de conhecimento sobre a endometriose, uma doença crônica que afeta cerca de uma em cada dez meninas e mulheres, frequentemente subdiagnosticada, com um atraso médio de sete anos para sua identificação. A CEO do Alana, Flavia Doria, destacou que o investimento complementa esforços para estruturar uma rede de pesquisa que inclua a sociedade civil e as mulheres afetadas, visando acelerar a prevenção e o diagnóstico.
Andrea Latgé, secretária de Políticas e Programas Estratégicos do MCTI, enfatizou a importância da criação de uma rede nacional de pesquisa para aprofundar o conhecimento sobre a doença e acelerar soluções. Ela apontou o grande potencial de pesquisadores brasileiros para gerar resultados de impacto no avanço de diagnósticos e tratamentos. Estima-se que 8 milhões de brasileiras em idade reprodutiva sofram com endometriose, incluindo 2 milhões de adolescentes, evidenciando a urgência da iniciativa diante da alta prevalência e do subdiagnóstico.
