A Seleção Brasileira enfrenta a Escócia nesta quarta-feira (24/06), às 19h, em Miami (EUA), pela última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo. Fora dos gramados, Brasil e Escócia movimentam entre US$ 250 milhões e US$ 300 milhões por ano em comércio bilateral, segundo estimativas da HM Revenue & Customs (HMRC), do governo britânico, e da Export Statistics Scotland, agência do governo escocês.

A relação entre os dois países remonta ao século XIX, quando escoceses migraram para o Brasil em busca de oportunidades econômicas e passaram a atuar em diferentes segmentos da economia e, até mesmo, no esporte, por exemplo. Descendente de escoceses, Charles Miller trouxe o futebol ao país após retornar dos estudos na Inglaterra, na década de 1890.

A comunidade ainda deixou marcas na indústria brasileira, como a Antarctica, atualmente da Ambev, fundada em 1888 com a participação do escocês William Mackenzie.

“As economias do Brasil e do Reino Unido são diferentes, mas o comércio bilateral cresce em ritmo acelerado desde 2021 e, consequentemente, os negócios com a Escócia também avançam de maneira consistente”, afirma o copresidente do Comitê de Agronegócios da Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil (Britcham), James Mor-Bell.

Em 2023, o Brasil ocupou a 11ª posição entre os principais destinos das exportações escocesas, desconsiderando a União Europeia como um mercado único. No mesmo ano, as vendas da Escócia ao mercado brasileiro somaram 925 milhões de libras esterlinas.

Segundo Mor-Bell, o agronegócio e o setor de bebidas sustentam boa parte dessa relação comercial.

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As exportações brasileiras para a Escócia concentram-se em café, minério de ferro, açúcar, carnes e celulose, de acordo com os governos britânico e escocês. Já as vendas do país ao Brasil têm como destaque o Scotch Whisky, equipamentos para petróleo e gás, tecnologias offshore e outros bens e serviços.

“A exportação escocesa mais conhecida pelos brasileiros, especialmente por quem vai assistir ao jogo, eu presumo, é o whisky. Há muitos anos ele figura entre os principais produtos enviados ao Brasil e aparece com destaque nas estatísticas, assim como o gin, uma bebida tradicional produzida a partir de insumos agrícolas”, diz Mor-Bell.

Em 2023, o segmento de alimentos e bebidas respondeu por 100 milhões de libras esterlinas em vendas ao Brasil, o equivalente a 10,9% do total exportado pela Escócia para o país. Outros 635 milhões de libras, ou 68,7% do total, vieram de atividades ligadas à agricultura, silvicultura e pesca, mineração e extração, serviços públicos e construção.

Embora reconheça que o Reino Unido ficou fora do acordo entre Mercosul e União Europeia após o Brexit, concluído em 2020, Mor-Bell avalia que a autonomia para negociar tratados próprios compensa essa perda. Segundo ele, o país já demonstra interesse em avançar nas conversas para um acordo de livre comércio com o bloco sul-americano. “É preciso separar a questão política da econômica”, pondera.

Na avaliação do executivo, as oportunidades que surgem para o Reino Unido também podem beneficiar a Escócia.

Para os próximos anos, Mor-Bell vê o agronegócio como um dos principais vetores para ampliar as relações comerciais entre Brasil e Escócia. Segundo ele, embora a Escócia tenha um mercado consumidor relativamente pequeno, o Reino Unido oferece oportunidades mais amplas.

“O país importa cerca de metade dos alimentos que consome e busca diversificar seus fornecedores”, afirma. Nesse cenário, o executivo avalia que o Brasil tem espaço para ampliar sua presença no mercado britânico, o que também pode beneficiar os negócios com a Escócia.

"“As economias do Brasil e do Reino Unido são diferentes, mas o comércio bilateral cresce em ritmo acelerado desde 2021 e, consequentemente, os negócios com a Escócia também avançam de maneira consistente”, afirma o copresidente do Comitê de Agronegócios da Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil (Britcham), James Mor-Bell."

"“A exportação escocesa mais conhecida pelos brasileiros, especialmente por quem vai assistir ao jogo, eu presumo, é o whisky. Há muitos anos ele figura entre os principais produtos enviados ao Brasil e aparece com destaque nas estatísticas, assim como o gin, uma bebida tradicional produzida a partir de insumos agrícolas”, diz Mor-Bell."