O Brasil e os Estados Unidos realizaram uma nova reunião de alto nível nesta terça-feira (14), em um momento crucial que antecede a decisão americana sobre a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Integrantes do grupo de trabalho bilateral, formado por autoridades e técnicos dos dois países, participaram do encontro, que marca a quinta reunião entre o ministro Márcio Elias Rosa e o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, desde o estabelecimento do grupo em maio.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) reafirmou em nota que o governo brasileiro voltou a contestar as medidas defendidas pelos Estados Unidos. Apesar de o foco da negociação ter sido mantido em argumentos técnicos, o Palácio do Planalto avalia que a decisão final por parte de Washington pode ter um forte componente político. O governo brasileiro insiste que as justificativas apresentadas pelos EUA, que incluem o Pix e alegações de falhas no combate à corrupção e ao desmatamento, não possuem fundamentação em práticas comerciais.
Durante a reunião, foi reiterado o caráter considerado injusto da aplicação das recomendações já divulgadas. Isso inclui a possível sobretaxa de 25% resultante da Seção 301 específica para o Brasil, além de uma taxa de 12,5% (Seção 301 – trabalho forçado) que pode ser aplicada a outras 59 economias. O governo brasileiro busca, por meio de argumentos técnicos e diplomáticos, evitar a concretização dessas tarifas que podem impactar significativamente o comércio bilateral.
Fontes próximas à Presidência indicam que uma intervenção direta do presidente Lula em uma ligação para o presidente americano Donald Trump, por ora, está fora dos planos. A estratégia do governo brasileiro concentra-se na atuação do grupo de trabalho e na apresentação de contrapontos técnicos e diplomáticos. O Planalto se prepara para um cenário adverso, com projeções de que as tarifas americanas possam atingir até 37,5% sobre produtos brasileiros, caso a decisão final seja desfavorável ao país.