O Brasil, maior exportador de carne bovina do mundo, está próximo de atingir sua cota anual de embarques para seu principal comprador, a China — uma situação que deve redesenhar os fluxos comerciais em um momento em que consumidores globais enfrentam preços mais altos da carne.

A China buscou proteger seus agricultores e produtores domésticos no início de 2026 ao impor cotas de importação de carne bovina. Isso levou frigoríficos brasileiros a acelerar o envio de produtos para os portos da nação asiática, e o limite agora deve ser alcançado antes mesmo da metade do ano, segundo analistas e dados do setor.

Com uma tarifa de 55% sobre quaisquer volumes adicionais, o iminente esgotamento da cota provavelmente levará o comércio do Brasil com a China a uma paralisação. O cenário representa um desafio para a indústria de carne brasileira, com expectativas de desaceleração no abate.

— Isso é algo com o qual a cadeia de suprimentos nunca teve que lidar antes, e está causando tensão no mercado — disse João Otávio Figueiredo, analista da consultoria Datagro.

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Pode ser uma boa notícia para consumidores fora da China, no entanto, à medida que frigoríficos buscam outros mercados. Isso pode aumentar a oferta e potencialmente aliviar os preços, que dispararam a níveis recordes em meio à forte demanda e oferta limitada.

Os embarques do Brasil para os Estados Unidos serão fundamentais. A demanda tem sido forte, impulsionada por uma grande escassez de gado e pelos elevados preços da carne bovina na América do Norte.

Como pode levar cerca de 60 dias entre o abate dos animais no Brasil e a chegada de uma carga de carne à China, a associação brasileira de exportadores de carne bovina, Abiec, sinalizou que já a partir de meados de maio os frigoríficos locais podem deixar de processar carne destinada ao mercado chinês. Outras projeções mais conservadoras, como a da Datagro, indicam que isso ocorreria em junho.

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A China importou mais de 510 mil toneladas de carne bovina do Brasil nos primeiros três meses do ano, segundo dados alfandegários. Isso equivale a 46% da cota. Até o fim de abril, esse percentual terá alcançado 65%, de acordo com pessoas familiarizadas com o ritmo dos embarques brasileiros. Essas fontes não quiseram ser identificadas, pois os dados oficiais das alfândegas chinesas referentes a abril ainda não estão disponíveis.

Isso já está pressionando os preços do gado vivo no Brasil, com os contratos futuros negociados em São Paulo reduzindo ganhos após uma alta no início do ano. Os pecuaristas ainda estão retendo novilhas em um movimento cíclico que tende a limitar a oferta de gado, mas a perspectiva de uma interrupção nas exportações de carne para a China está aliviando parte dessa pressão.