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7.mai.2026 à 0h01 Edição Impressa Diminuir fonte Aumentar fonte Ouvir o texto Paulo Passos São Paulo A abertura de duas fábricas de automóveis, a compra de uma mineradora de ouro e a chegada de gigantes do delivery no Brasil têm algo em comum. Fazem parte da lista de 52 investimentos de grupos chineses no país em 2025. O ano passado registrou o recorde no número de projetos de empresas da China no Brasil, com alta de 45% no valor total alocado na comparação com 2024. Foram US$ 6,1 bilhões (R$ 30 bilhões), segundo levantamento do CEBC (Conselho Empresarial Brasil-China), valor maior do que o contabilizado em qualquer outro destino no mundo.
O estudo considera iniciativas com características distintas como operações começando do zero, expansões, fusões e aquisições e joint ventures.
O cenário de 2025 consolida uma tendência constante na década. Desde 2021, o Brasil esteve todos os anos entre os cinco principais países com mais investimentos.
A instabilidade geopolítica global ajuda a explicar o avanço chinês no mercado brasileiro, segundo o autor do estudo, Tulio Cariello, diretor de Conteúdo e Pesquisa do CEBC.
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"Outros países se fecharam, principalmente os EUA, e o Brasil passou a ser a bola da vez, um lugar aberto e seguro", afirma.
Cariello elenca características que atraem os chineses: grande mercado consumidor, uma indústria estabelecida, sistema bancário estruturado, recursos naturais e energia elétrica limpa.
Em 2025, projetos de energia (29,5%), mineração (29%), indústria automobilística (15,8%), petróleo (13,3%) e tecnologia da informação (6,3%) concentraram os investimentos de grupos chineses.
O volume recorde de iniciativas (52) sinaliza uma tendência, afirma Hsia Hua Sheng, vice-presidente do BOC Brasil (Bank of China) e professor de finanças na FGV (EAESP). "Antes eram só os grupos gigantes que estavam aqui. Agora toda a cadeia de fornecedores dessas empresas veio", afirma. Ele cita como exemplo o caso da instalação de montadoras, como GWM e BYD, que precisam de uma cadeia de suprimentos formada por outras companhias. O mesmo acontece com fábricas de equipamentos eletrônicos, como telefones celulares.
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"O valor investido pode até não ser tão alto nos próximos anos, mas o número de projetos será cada vez maior", diz Sheng.
Em valor aportado, o setor elétrico segue com a maior fatia, uma tendência consolidada desde 2012. No ano passado, metade dos projetos de chinesas foi em energia, com aportes de US$ 1,79 bilhão. Eles se concentraram em fontes limpas —como usinas solares, eólicas e hidrelétricas— e na expansão de linhas de transmissão.
O setor de mineração registrou um salto sem precedentes em 2025, com investimentos que mais do que triplicaram em relação ao ano anterior, totalizando US$ 1,76 bilhão. O desempenho histórico foi impulsionado pela compra da Equinox pela mineradora chinesa CMOC por US$ 1 bilhão, em dezembro.
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