Mesmo com a recente redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, o Brasil alcançou a primeira posição no ranking mundial de juros reais. A taxa básica de juros nominal foi fixada em 14,25% ao ano, mas ao considerar a expectativa de inflação para os próximos 12 meses, a taxa real ex ante do país atingiu 9,67% ao ano, segundo levantamento divulgado nesta terça-feira (16).

Este cálculo, que desconta a projeção de inflação de 4,31% (coletada pelo boletim Focus) da taxa de mercado, é preferido por economistas por refletir o retorno real esperado por um investidor em um horizonte de um ano. O Brasil agora lidera o ranking, ultrapassando a Rússia, que ocupava a primeira posição no levantamento anterior em abril. As taxas reais de ambos os países estão significativamente distantes da média de 1,649% observada em 40 economias analisadas.

O cenário global de incertezas, especialmente devido ao conflito no Oriente Médio, tem levado à revisão para cima das perspectivas inflacionárias em diversos países. Essa elevação na expectativa de inflação contribui para a redução das taxas de juros reais em outras nações, com seis países, incluindo Argentina e Japão, apresentando agora juros negativos. A taxa de juros real brasileira, apesar da queda nominal, mantém o país em destaque no cenário internacional.

Em termos nominais, o Brasil figura na quarta posição com juros de 14,25%, atrás de Turquia (37%), Argentina (29%) e Rússia (14,50%). A liderança no ranking real, portanto, não se deve apenas ao patamar dos juros nominais, mas à combinação deste com expectativas de inflação mais controladas quando comparadas a outras economias emergentes. O levantamento abrange 40 economias, utilizando a taxa de juros de mercado a 12 meses e a inflação projetada pelas autoridades de cada país.