Novos dados divulgados pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids) indicam uma queda significativa de 42,9% nos novos casos de HIV em todo o mundo desde 2010. No entanto, em contraponto a essa tendência global, o Brasil se destaca negativamente, figurando entre os 21 países onde o número de novas infecções aumentou mais de 20% no mesmo período. Essa realidade brasileira diverge da meta ambiciosa de eliminar a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids) como uma ameaça à saúde pública até 2030.

Globalmente, foram contabilizados 1,2 milhão de novas infecções em 2025, o menor número desde o início da epidemia, mas ainda muito acima da meta de 200 mil novas infecções para estar no caminho certo. A diretora executiva do Unaids, Winnie Byanyima, ressalta que, embora a ciência ofereça caminhos realistas para alcançar os objetivos, os desafios são predominantemente políticos e dependem de "escolhas políticas" e "acesso com dignidade" aos serviços de saúde. Ela enfatiza que o HIV é uma "doença impulsionada pela desigualdade", especialmente na América Latina, onde o estigma, a discriminação e a falta de acesso a serviços de saúde sexual e reprodutiva contribuem para o avanço das novas infecções, principalmente entre populações-chave.

No Brasil, o cenário é preocupante. O Ministério da Saúde registrou 39,2 mil novos casos de HIV em 2024, um aumento de 21,9% em comparação com uma década anterior. Estimativas apontam que cerca de 1,7 milhão de brasileiros vivem com o vírus atualmente. Apesar disso, o país tem avançado em outras frentes, como na prevenção da transmissão vertical (de mãe para filho), alcançando 87% das gestantes, e no tratamento antirretroviral, com 78% das pessoas vivendo com HIV em terapia. O Brasil também foi recentemente certificado pela eliminação da transmissão vertical do HIV, um marco importante.

O relatório do Unaids também aponta que os esforços globais para combater o HIV/Aids têm enfrentado obstáculos crescentes. A queda de 18% no financiamento internacional em 2025, impulsionada por cortes em programas de ajuda humanitária, e o aumento de crises humanitárias e endividamento em países afetados, têm impactado a continuidade e a eficácia dos serviços. A redução na testagem para HIV em países com alta carga da infecção é um exemplo concreto das consequências dessa diminuição de recursos e atenção.