O Brasil atingiu a marca de 80% da cota de carne bovina imposta pela China neste ano, conforme comunicado do Ministério do Comércio chinês. Empresas e organizações do setor agropecuário acreditam que o percentual real pode ser ainda maior, com a possibilidade da cota estar virtualmente esgotada, uma vez que os cálculos de Pequim não incluem cargas já embarcadas.
Em dezembro do ano passado, Pequim implementou uma medida de salvaguarda que prevê uma taxação de 55% para exportações que ultrapassarem a cota estabelecida. Essa medida, com duração de três anos, começou a valer em janeiro. O limite para o Brasil em 2026 é de 1,1 milhão de toneladas. Em 2025, a China já representou 48% do total exportado pelo Brasil, totalizando 1,68 milhão de toneladas e gerando US$ 8,9 bilhões.
O governo brasileiro tem tentado negociar com as autoridades chinesas a redistribuição de cotas não utilizadas por outros países, mas os pedidos têm sido negados até o momento. A situação foi tema de uma conversa telefônica entre o presidente Lula e o líder chinês, Xi Jinping, que discutiram questões comerciais, incluindo o acordo entre China e Mercosul. No entanto, não está claro se a salvaguarda para a carne bovina foi abordada diretamente.
A medida chinesa faz parte de uma estratégia mais ampla para reduzir a dependência de poucos fornecedores, buscando diversificar origens para garantir a segurança alimentar. Diante da iminência do fechamento do mercado chinês para a carne bovina brasileira, o governo busca compradores alternativos, como os Estados Unidos. Contudo, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) aponta que nenhum outro mercado possui a capacidade de absorver o volume exportado para a China.
