O Brasil está prestes a dar um passo significativo na sua capacidade de resposta a crises sanitárias com a iminente criação do Centro Brasileiro de Emergências em Saúde Pública (Cbesp). A expectativa é que a instituição seja estabelecida até o final deste ano, com o objetivo primordial de blindar o país contra futuras epidemias, surtos e outras emergências de saúde pública e até mesmo climáticas.
A concepção do Cbesp parte do Instituto Todos pela Saúde (ITpS) e representa o culminar de anos de estudos e colaboração entre especialistas de diversas instituições nacionais. A proposta é que o centro opere em conformidade com as normas internacionais, como o Regulamento Sanitário Internacional (RSI), e que esteja intrinsecamente integrado ao Sistema Único de Saúde (SUS), com vinculação direta ao Ministério da Saúde. A gestão e a governança da nova entidade deverão ser coordenadas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Para assegurar sua sustentabilidade e autonomia, o Cbesp terá seu funcionamento financiado pelo Orçamento Geral da União, com a possibilidade de captação adicional de recursos por meio de convênios internacionais e geração de receitas próprias. A estrutura proposta prevê uma operação em rede, promovendo uma colaboração estreita e contínua com o Ministério da Saúde, as secretarias estaduais e municipais de saúde, universidades e centros de pesquisa. Essa intersetorialidade é vista como uma das grandes inovações, garantindo a articulação entre diferentes setores do governo – como saúde, meio ambiente, agricultura, ciência e tecnologia – e a sociedade civil.
Idealizado como uma política de Estado, e não apenas de governo, o Cbesp busca se dissociar de instabilidades políticas, uma lição aprendida com os desafios enfrentados durante a pandemia de COVID-19. A intenção é criar uma estrutura permanente focada em prevenção, preparação e resposta a emergências, assegurando que o Brasil reaja de forma mais célere e eficaz a futuras crises. O centro será responsável pelo monitoramento de riscos, desenvolvimento de estratégias de prevenção e controle, e pela implementação da Política Nacional de Emergências de Saúde Pública, atuando diante de um cenário global cada vez mais complexo, marcado por emergências climáticas, desmatamento e deslocamentos populacionais.
