O governo brasileiro estuda a emissão de títulos denominados em iuanes, conhecidos como "panda bonds", durante uma viagem oficial à China prevista para ocorrer entre os dias 24 e 26 de junho. Esta estratégia visa ampliar a participação do Brasil nos mercados internacionais de dívida, buscando diversificar as captações para além do dólar e de outras moedas tradicionais.

A missão, que está em preparação há meses e será liderada pelo Ministro da Fazenda, Dario Durigan, surge após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter destacado o fortalecimento das relações comerciais com a China, principal parceiro econômico do Brasil. A viagem ganha relevância em um cenário de tensões comerciais com os Estados Unidos, que impôs novas tarifas sobre produtos brasileiros.

Antes da visita ministerial, autoridades brasileiras já se deslocarão à China na próxima semana para uma reunião de subcomissão financeira entre os dois países. Durante essa missão preparatória, o Brasil pretende apresentar instrumentos financeiros ligados à sua agenda de sustentabilidade. Serão destacados leilões de "blended finance" no âmbito do programa Eco Invest, o TFFF (Tropical Forest Forever Facility) e os avanços na consolidação de um mercado doméstico de carbono.

Esses instrumentos financeiros são vistos como essenciais para impulsionar o investimento direto chinês em setores considerados estratégicos para a economia brasileira. O Ministério da Fazenda foi contatado, mas optou por não comentar o assunto no momento. A iniciativa de emitir "panda bonds" segue um movimento recente de captação de 5 bilhões de euros em abril, a primeira emissão em euros desde 2014, reforçando a busca por novas fontes de financiamento no exterior.