O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil atingiu a marca de R$ 12,7 trilhões no ano de 2025, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse desempenho posiciona o país como a sexta economia com o maior crescimento entre as nações do G20 que já consolidaram e publicaram seus indicadores para o período. A lista é liderada pela Índia, que observou um impressionante salto de 7,5% em comparação com o ano anterior. O Brasil, um dos principais motores econômicos emergentes, destacou-se por superar os Estados Unidos, a maior potência econômica global, no ranking de crescimento do PIB.

Apesar de ser o quinto ano consecutivo de expansão econômica para o Brasil, o resultado do PIB em 2025 revelou uma desaceleração no ritmo de crescimento em relação a 2024, quando a alta foi de 3,4%. A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda apontou a agropecuária como o principal motor do PIB nacional no último ano, demonstrando a força do setor no cenário econômico brasileiro. Contudo, essa perda de fôlego tornou-se mais perceptível no segundo semestre, com a atividade permanecendo praticamente estável em comparação com os primeiros seis meses do ano.

A principal causa atribuída pelos técnicos do Ministério da Fazenda para essa desaceleração foi a política monetária contracionista, marcada pela manutenção de juros altos. A taxa básica de juros, a Selic, foi uma ferramenta fundamental utilizada pelo Banco Central (BC) para combater a inflação, que permaneceu acima da meta governamental de 3% ao ano por grande parte de 2025. Desde setembro de 2024, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC elevou a Selic, que chegou a 15% ao ano em junho de 2025, patamar que se mantém até o momento e o mais alto desde julho de 2006. Juros elevados encarecem o crédito e desestimulam investimentos e consumo, contribuindo para o "fechamento do hiato do produto" – uma forma de equilibrar a capacidade produtiva com a demanda para controlar os preços.

Paradoxalmente, apesar do ambiente econômico restritivo imposto pelos juros altos e da desaceleração do PIB, o ano de 2025 encerrou com a menor taxa de desemprego já registrada pelo IBGE, indicando uma resiliência do mercado de trabalho. Para o ano de 2026, as perspectivas apontam para uma provável mudança na política monetária. O Copom já sinalizou a intenção de cortar a Selic em sua próxima reunião, agendada para março, com o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, avaliando que o conflito no Oriente Médio não deverá impactar essa decisão. A SPE projeta um crescimento do PIB de 2,3% para 2026, antevendo uma desaceleração da agropecuária, mas uma compensação por um ritmo mais forte na indústria e nos serviços, impulsionados pela esperada redução dos juros, a isenção de Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil e a expansão do crédito consignado.