O Brasil apresentou um panorama significativo no acolhimento a refugiados em 2025, com 75,6 mil novos pedidos de refúgio registrados. Este número contribui para o total de mais de 165 mil pessoas reconhecidas como refugiadas no país, demonstrando um crescimento de 5,9% em relação ao ano anterior. Desde 2010, o Brasil já recebeu um total acumulado de 551.072 solicitações de reconhecimento da condição de refugiado, evidenciando um fluxo contínuo de pessoas em busca de proteção.

Um evento realizado no Palácio da Justiça, em Brasília, reuniu representantes do Governo Federal, organismos internacionais, academia e sociedade civil para debater os desafios da proteção internacional e os avanços do Brasil. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, destacou a importância histórica da Convenção de 1951 e o compromisso nacional com a dignidade humana e o deslocamento forçado. Ele ressaltou que o Brasil tem consolidado políticas de proteção e integração, incluindo vistos humanitários e o Programa Nacional de Acolhida Humanitária por Patrocínio Comunitário.

O relatório de 2025 também aponta uma mudança no perfil dos solicitantes de refúgio. Pela primeira vez, Cuba superou a Venezuela em número de novos pedidos, representando 55,4% das solicitações, enquanto os venezuelanos somaram 28,1%. O levantamento identificou solicitantes oriundos de 177 países, demonstrando a abrangência global da crise de refugiados. A secretária nacional de Justiça, Maria Rosa Loula, enfatizou o papel estratégico da política de refúgio para o desenvolvimento social e a promoção dos direitos humanos, classificando-a como um instrumento de transformação.

O representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) no Brasil, Davide Torzilli, reconheceu o papel do Brasil no fortalecimento das políticas de acolhimento e integração, em um contexto global onde mais de 117 milhões de pessoas estão deslocadas à força. Ele destacou a urgência em fortalecer os sistemas de proteção e agradeceu ao Brasil por promover espaços de diálogo e buscar soluções para a proteção e integração de refugiados, deslocados e apátridas. Durante o evento, o Ministro Wellington Lima assinou a institucionalização do Programa Nacional de Acolhida Humanitária por Patrocínio Comunitário, uma iniciativa inovadora que visa expandir o acolhimento humanitário.