O governo brasileiro mantém uma postura firme diante das pressões dos Estados Unidos para agilizar a concessão do "agrément", o aval diplomático necessário para que Daniel Perez assuma como novo embaixador americano no país. Fontes do Palácio do Planalto e do Itamaraty garantem que o Brasil não pretende ceder a tais exigências, indicando que o processo de análise seguirá seu curso natural, sem acelerações.

A principal apreensão do governo reside na possibilidade de Perez atuar como um "preposto" do chefe do Departamento de Estado americano, Marco Rubio. Há um temor generalizado de que o indicado tenha como objetivo principal tumultuar o processo eleitoral brasileiro, marcado para outubro, especialmente ao questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas e a lisura do pleito. A suposta proximidade de Perez com a família Bolsonaro intensifica ainda mais essas preocupações.

Diante desse cenário, o governo brasileiro também demonstra resiliência em relação a possíveis ameaças relacionadas a vistos diplomáticos. A ideia de retaliar cancelando o visto da atual embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luisa Viotti, é vista como ineficaz, uma vez que, embora haja uma atualização na necessidade de solicitação de novo documento caso ela deixe o país, ela não é obrigada a se retirar dos EUA.

As fontes consultadas pela reportagem enfatizam que as pressões americanas não terão o condão de alterar o cronograma interno de avaliação da indicação de Perez. O governo brasileiro reitera que possui seu próprio ritmo de análise e que a conclusão deste processo avaliativo só deverá ocorrer após a realização das eleições presidenciais brasileiras, reforçando a autonomia e a soberania nas decisões diplomáticas.